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domingo, 13 de março de 2011 Partidos | 06:04

PSB investe em Kassab e Ciro Gomes, mas aposta que Chalita e Erundina ficam no partido

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Roberto Amaral (Foto: Valter Campanato/ABr)

Vice-presidente nacional do PSB, o ex-ministro da Ciência e Tecnologia Roberto Amaral recebeu o ex-deputado Ciro Gomes, uma semana antes do carnaval,  para um jantar em sua casa no Rio de Janeiro.

Em entrevista ao Poder Online ele garante: “Nem Ciro, nem seu irmão, Cid Gomes (governador do Ceará) deixarão o partido.”

Roberto Amaral também não acredita que os deputados Gabriel Chalita e Luiza Erundina abandonem a legenda ou partam para a criação de uma nova agremiação. Mas continua apostando na adesão do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), desafeto dos dois.

Ele aposta também na manutenção da aliança com PSDB e PT em Belo Horizonte, em torno da reeleição do socialista Marcio Lacerda. E anuncia a filiação ao partido do ex-ministro da Saúde José Gomes Temporão, possível candidato a prefeito do Rio de Janeiro pelo PSB.

Poder Online: Quais são as prioridades do PSB para 2012?

Roberto Amaral: Conservar, nas eleições, as Prefeituras que já temos e  avançar em cidades médias, como Campinas, onde teremos candidato. A ideia é disputar no maior número possível de cidades com candidatos próprios. E daremos prioridade absoluta ao chamado Triangulo das Bermudas (risos), ou seja, Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte.

Poder Online: Então vamos por partes. Qual a estratégia em Belo Horizonte?

Roberto Amaral: Lá, nós vamos investir na reeleição do prefeito Marcio Lacerda (PSB), com muitas esperanças de preservarmos a aliança tanto com o PT como com o PSDB.

Poder Online: Mas o PT quer lançar candidato próprio.

Roberto Amaral: Nessas coisas pesa muito o interesse federal.

Poder Online: Ou seja, o interesse do governo federal na aliança entre PT e PSB? Mas também já não há tanto interesse do governo federal numa aproximação com o PSDB de Aécio Neves.

Roberto Amaral: Olha, a coisa não é tão direta assim. E o jogo político já não é como antigamente, quando PT e PSDB jogavam com todas as peças do xadrez e os demais partidos somente com peões. O PSB hoje tem vários governadores, somos um partido de peso. Creio que haverá tanto o interesse nacional do PT em manter aliança conosco em Belo Horizonte, como o interesse do próprio Aécio Neves em também manter a aliança entre o PSDB e o PSB. No final, acho que há muitas chances de continuarmos todos juntos por lá.

Poder Online: E em São Paulo?

Roberto Amaral: Embora sempre tenhamos como meta a candidatura própria, em São Paulo creio que teremos um entendimento com o prefeito Gilberto Kassab e este novo partido que ele está lançando.

Poder Online: Mas tem a ameaça dos deputados Luiza  Erundina e Gabriel Chalita de deixarem o partido, se for feito o entendimento com o Kassab.

Roberto Amaral: Isso de sair dos partidos está cada dia mais difícil hoje em dia. A legislação é muito complicada. E nós temos todo interesse e consideração pela Erundina e pelo Chalita. Não vejo motivo nem condições objetivas para que eles saiam do partido, independentemente do que ocorra em relação ao Kassab.

Poder Online: Eles ameaçam criar uma nova legenda.

Roberto Amaral: Não creio. Eu já fundei partido e sei o quanto é penoso partir para uma eleição sem fundo partidário e sem horário de TV.

Poder Online: Mas o mesmo raciocínio vale para o Kassab. Para ir para o seu partido, ele antes teria que fundar o tal PDB. E nisso o PSB tem ajudado.

Roberto Amaral: Não, não temos nos metido. Agora, temos, sim, interesse na aproximação com o Kassab. Quanto ao novo partido que ele fundaria, trata-se do prefeito da maior cidade da América Latina e um projeto que ele diz incluir até governadores, vários prefeitos do interior, uma bancada de cerca de vinte deputados federais… Se metade disso se cumprir, será um projeto de peso, diferentemente de dois ou três deputados resolverem fundar um partido.

Poder Online: Eles ameaçam levar o governador do Ceará, Cid Gomes, e o irmão, o ex-deputado Ciro Gomes.

Roberto Amaral: Eu jantei com o Ciro em minha casa. Conversamos abertamente sobre todos os temas possíveis. Foi um encontro muito bom. Posso lhe dizer que não há hipótese desses dois saírem do PSB. O Ciro é hoje o principal nome nacional do partido e será tratado entre nós com toda a reverência que merece. Seu irmão, o Cid, é um dos maiores governadores do país e sabe muito bem da importância que damos a eles.

Poder Online: E quanto ao Rio de Janeiro?

Roberto Amaral: É um quadro mais difícil, na medida em que outras legendas têm nomes consolidados para disputar a Prefeitura. Mas devemos realizar nos próximos dias a filiação ao partido do ex-ministro José Gomes Temporão. Trata-se de um figura respeitada, um homem digno e conhecido nacionalmente. Quando ministro, trabalhou muito pelo Rio. Talvez seja uma opção. Quem sabe?

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