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domingo, 12 de junho de 2011 Governo | 06:02

Renan Calheiros diz que, para PMDB, nomeação de Ideli marca o início de um novo governo

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Renan Calheiros (Foto: Antonio Cruz / ABr)

Após a nomeação de Gleisi Hoffmann para ministra-chefe da Casa Civil, o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), pôs-se a reclamar da falta de participação do PMDB nas decisões sobre mudanças no ministério de Dilma Rousseff.

Renan fez campanha aberta pela permanência de Antonio Palocci no governo e foi surpreendido pela demissão do ministro.

Desfraldou a bandeira da candidatura do líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), para coordenador político do Palácio, mas a presidenta Dilma Rousseff preferiu outro nome: Ideli Salvatti.

E agora? Renan e o PMDB gostaram? Não gostaram?

Em entrevista ao Poder Online Renan Calheiros jura que a emenda saiu melhor que o soneto. Que desta vez Dilma conversou com o partido, que Ideli é ligadíssima ao PMDB, que os canais de interlocução política serã desobstruídos e que, enfim, o governo Dilma Rousseff começa, de fato, agora.

Poder Online — Tem muita gente no PMDB que não gostou da nomeação de Ideli Salvatti para a coordenação política do governo?

Renan Calheiros — Sou o líder do partido na Câmara e posso lhe dizer. Se tem gente contrária, não é a maioria do partido. Em todos os lugares sempre vai ter uma parcela contra. Mas a ministra Ideli sempre foi corretíssima com o PMDB e gozará de nosso total apoio.

Poder Online — Como ela agiu durante aquele período de acusações contra o senhor, quando era Presidte do Senado, e também quando as acusações se voltaram contra José Sarney?

Renan Calheiros — Olha, ela foi muito amiga, muito correta com o PMDB nas duas crises. Assim como o ex-presidente Lula, a senadora Ideli se mostrou uma grande companheira.

Poder Online — Mas o PMDB não apoiava a nomeação do líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), para comandar essa pasta das Relações Institucionais?

Renan Calheiros — Nós achávamos o Vaccarezza um nome muito bom. Mas fomos conversar com a presidenta Dilma, na quinta-feira, e vimos que não dava para levar nome algum. Ela já tinha na cabeça a Ideli. A presidenta me perguntou explicitamente se era verdade que o PMDB tinha restrições, e eu esclareci que de maneira nenhuma. A Ideli é uma amiga do PMDB.

Poder Online — E o Vaccarezza?

Renan Calheiros — O Vaccarezza também. Seria um excelente ministro. Mas teve o problema do PT na Câmara, da divisão do partido. Talvez se tivesse mais tempo para se costurar um acordo entre os dois grupos do partido… Mas a presidenta teve que resolver o problema do ministério agora.

Poder Online — O senhor estava reclamando que o PMDB queria participar da escolha. E isto não ocorreu.

Renan Calheiros — Nós reclamávamos que quaríamos ser ouvidos. Não quanto a nomes, mas em relação ao processo, o PMDB quer ter um papel na articulação política. O partido cobra um canal de interlocução. Aliás, quem mais cobra isto é o PT.

Poder Online — Então? Vocês defenderam a permanência do ex-ministro Antonio Palocci, mas reclamam da coordenação política. Ele é quem cuidava da coordenação política.

Renan Calheiros — O Palocci, pessoalmente, contou com nosso apoio. Mas nós não estávamos de acordo com o modelo de coordenação política.

Poder Online — E isso vai mudar?

Renan Calheiros — Já mudou. Nós criticávamos o modelo centralizado, com um ministro cuidando da gestão, na Casa Civil, e, ao mesmo tempo, da coordenação política. Nem o Palocci, nem ninguém dava conta assim. Agora não. Agora a ministra Gleisi Hoffmann fica com a gestão e a ministra Ideli, com sua experiência no Congresso, cuidará da articulação, da desobstrução dos canais.  Pode estar certo de que o governo inaugura uma nova fase. Começa aqui um novo governo.

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