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domingo, 30 de outubro de 2011 Congresso | 06:01

Às vésperas de tomar posse, Cássio Cunha Lima defende lei que barrou seu mandato

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Cássio Cunha Lima (Foto: AE)

Após mais de um ano de batalhas judiciais para assumir cadeira no Senado, o ex-governador da Paraíba Cássio Cunha Lima (PSDB) obteve determinação favorável do Supremo Tribunal Federal e será empossado senador no próximo dia 7 de novembro.

Cunha Lima foi barrado pela Lei da Ficha Limpa devido à condenação – que cassou seu mandato como governador — por abuso de poder econômico nas eleições de 2006.

Em entrevista ao Poder Online, o ex-governador defendeu a Lei da Ficha Limpa que, segundo ele, é “um avanço na legislação brasileira”, mas que teria uma “série de inconstitucionalidades”.

– O espírito da lei é bom, o problema é que foi feita de forma açodada. O Congresso quis dar uma resposta rápida à pressão da opinião pública, mas a pressa é inimiga da perfeição — disse.

Amigo do ex-presidente Lula, Cunha Lima defendeu ainda uma “oposição de resultados”, que dialoga com o governo em troca de aprovar matérias de seu interesse. E afirmou que fará um mandato voltado para a transparência e dará enfoque ao tema da sustentabilidade.

Poder Online – O senhor é amigo do ex-presidente Lula. No Senado, atuará como governo ou oposição?

Cássio Cunha Lima – Sou oposição. Mas defendo uma oposição de resultados, que tenha diálogo com o governo para que nossas propostas e bandeiras não fiquem apenas no campo das ideias, mas se tornem reais. Por exemplo, na votação do salário mínimo, já que não tínhamos número para aprovar uma proposta diferente, deveríamos ter negociado com o governo. Em contrapartida, votaríamos matérias que são prioridade e bandeiras da oposição. Não adianta querer fazer oposição igual o PT fazia. O PT era franco-atirador, foi crescendo, mas não tinha responsabilidades de governos de estado. Esse não é nosso caso. Nem o nosso perfil.

Poder Online – E sua relação com o ex-presidente Lula?

Cássio Cunha Lima – É preciso separar fraternidade de questões políticas. Tenho apreço por Lula. Mas, amigos, amigos, política à parte.

Poder Online – O senhor é a favor da Lei da Ficha Limpa?

Cássio Cunha Lima – Sim, a Lei da Ficha Limpa é um avanço na legislação brasileira. O espírito da lei é bom, o problema é que foi feita de forma açodada. O Congresso quis dar uma resposta rápida à pressão da opinião pública, mas a pressa é inimiga da perfeição. A lei tem uma série de inconstitucionalidades. A retroatividade, por exemplo, é algo que a Justiça tem de avaliar. E o Congresso precisa assumir suas responsabilidades, porque tem deixado espaços abertos na legislação para o Supremo decidir porque não tem coragem de enfrentar certos temas.

Poder Online – Qual sua avaliação sobre o mandato de Wilson Santiago, que assumiu em seu lugar no Senado?

Cássio Cunha Lima – Não enxergo nada de concreto ou de positivo que ele tenha feito no período em que assumiu o meu mandato.

Poder Online – Agora que vai tomar posse, qual será sua primeira ação na Casa?

Cássio Cunha Lima – Eu quero ter a prudência de verificar primeiro o que está tramitando. Mas sei que o Orçamento da União vai monopolizar esse debate agora no final do ano. Então, vou ouvir nessa semana o governador da Paraíba, para fixarmos as prioridades do estado. Sintonizando ao que a sociedade deseja, pretendo também investir na transparência.

Poder Online – Na transparência como?

Cássio Cunha Lima – Não só em relação aos projetos e propostas, mas também quanto ao cotidiano do gabinete. Vou divulgar todas as despesas de gabinete e referentes ao meu mandato por meio do twitter, do facebook. Quero que essas informações circulem nas redes sociais, com as quais pretendo intensificar as relações. No twitter, hoje, tenho 50 mil seguidores.

Poder Online – E quais serão as prioridades de seu mandato?

Cássio Cunha Lima – Uma ação mais duradoura vai ser voltada para a sustentabilidade. Sou amigo do Marcos Palmeira, então quero estudar a produção de alimentos orgânicos e a sustentabilidade para incorporar esse pensamento na legislação. Acho que nós perdemos uma grande oportunidade, por exemplo, de realizarmos projetos sustentáveis para a Copa do Mundo de 2014.

Poder Online – Qual sua avaliação sobre o governo Dilma Rousseff?

Cássio Cunha Lima – A Dilma tem um grande desafio que é dar um basta no loteamento do governo. Cinco ministros caíram por graves denúncias de corrupção nos últimos dez meses, isso não é normal. O governo Lula teve seus méritos, assim como Fernando Henrique Cardoso. Mas a sociedade não vai aceitar mais este antro de malfeitos. Até agora, a Dilma tem agido e tirado os ministros, mas precisa mudar esse esquema de barganha política. Os partidos continuam indicando os sucessores nos ministérios. Parece que o governo passou a escritura dos ministérios para determinados partidos, e ali ninguém entra.

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