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domingo, 8 de abril de 2012 Estados | 06:01

Enchentes em Teresópolis: Lindbergh Farias defende “intervenção branca” dos governos federal e estadual na Região Serrana do Rio

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Senador pelo PT do Rio Janeiro, Lindbergh Farias já está em plena campanha para se candidatar a governador do Estado, em 2014.

Em entrevista ao Poder Online, Lindbergh se disse abalado com a tragédia provocada pelas enchentes na Região Serrana do Rio, especialmente em Teresópolis.

E abalado também com a crise política nas cidades serranas do Estado. Em Teresópolis, por exemplo, sumiu parte das verbas destinadas a desabrigados e à reconstrução da cidade por causa das chuvas do ano passado. O prefeito foi cassado. E o primeiro colocado nas pesquisas também já foi preso.

Daí Lindbergh Farias propor “uma espécie de intervenção branca” dos governos federal e estadual em algumas cidades da Região Serrana do Rio, a fim de tocar a reconstrução física e da economia local.

Lindbergh também admite que a imagem dos políticos não anda boa e que a firmeza da presidenta Dilma Rousseff no trato com a base governista é motivo do aumento de popularidade da presidenta.

No entanto, no caso das denúncias contra o senador Demóstenes Torres, o petista Lindbergh não defende a abertura de  uma Comissão Parlamentar de Inquérito. Ele acha que basta a Comissão de Ética do Senado.

Poder Online – Novamente temos enchentes, deslizamentos  e mortes em Teresópolis e ainda não se sabe o que foi feito com o dinheiro  enviado para a reconstrução da cidade devido  às chuvas do ano passado.

Lindbergh Farias – Realmente é uma situação triste. As chuvas agora atingiram outra área da cidade, perto da região central. Além das mortes, há um prejuízo talvez maior para a economia da cidade. E ainda não se havia curado as feridas das últimas enchentes. O quadro político também não ajuda. O ex-prefeito  Jorge Mário  foi cassado em meio às suspeitas de desaparecimento das verbas contra enchentes. O primeiro colocado nas pesquisas eleitorais para a Prefeitura  era o Mário Tricano, um conhecido bicheiro da região, que também já foi preso.

Poder Online – Se o senhor fosse governador, o que faria?

Lindbergh Farias – O governo do Estado já está atuando. Mas acho que, na Região Serrana, é o caso de uma espécie de intervenção branca. O governo federal e o governo estadual  têm que tomar a frente da situação. Assumir completamente a administração da reconstrução da cidade, do ponto de vista físico e econômico.

Poder Online – Como assim?

Lindbergh Farias – Promoverem-se coisas como, por exemplo, o BNDES fazer um programa de ajuda ao empresariado local, que foi  fortemente atingido.  E, sobretudo, o programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal,  entrar pesado. É preciso que os governos federal e estadual façam uma revolução habitacional em Teresópolis e nas cidades vizinhas, acabando de vez com  residências em áreas de risco, barracos. Podem-se promover  projetos  com aporte de dinheiro federal e estadual sem passar pelas mãos dos administradores locais. Uma intervenção branca em defesa da população,

Poder Online – Esse Tricano é do PP. Mas o Jorge Mário era do seu partido, o PT.

Lindbergh Farias – Foi expulso do partido antes mesmo das denúncias de desvio de verbas das enchentes. Mas o problema ali não é só em Teresópolis, não. Várias Prefeituras da Região Serrana estão com problemas políticos semelhantes.

Poder Online – Pois é. Os políticos não andam com boa fama. Tem também o caso do senador goiano Demóstenes Torres (ex-DEM), ligado ao bicheiro Carlinhos Cachoeira. A Câmara até está tentando abrir uma CPI, mas o Senado não parece muito interessado…

Lindbergh Farias – Não se trata de a Câmara querer e o Senado estar contra. É que o Senado já deve abrir processo contra ele no Conselho de Ética. E o Conselho requisitará os documentos da investigação que já está em curso na Procuradoria-Geral da República.

Poder Online – Mas o senhor é contra ou a favor da CPI?

Lindbergh Farias – Sinceramente, não acho que uma CPI, agora, seria mais rápida e efetiva do que a Comissão de Ética.

Poder Online – O fato é que, enquanto a imagem dos políticos não anda boa, a popularidade da presidenta Dilma Rousseff não para de crescer.

Lindbergh Farias – É verdade, nessa última pesquisa, então, ela bateu recorde de popularidade. As pessoas estão encantadas com a firmeza da presidenta. Inclusive neste episódio em que uma boa parte da base governista derrotou a indicação do Palácio do Planalto para presidente da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres). Pensaram que tinham emparedado a Dilma, mas ela reagiu com firmeza, mudando alguns de seus líderes no Congresso. E a população gostou.

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