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domingo, 8 de julho de 2012 Congresso | 12:21

Presidente do DEM avalia que plenário do Senado cassará nesta quarta-feira Demóstenes Torres, ex-integrante da legenda

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Presidente nacional do Partido Democratas (DEM), o senador José Agripino Maia (RN) não compareceu à votação da cassação de Demóstenes Torres (sem partido-GO) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, na última quarta-feira.

Por conta disso, surgiram especulações de que Agripino poderá votar contra a cassação de um senador que integrava as fileiras de seu partido.

Em entrevista ao Poder Online, o senador afirma que não foi à sessão porque sabia que seu voto não seria necessário. E porque está em missão partidária no EUA, participando de reuniões da IDC (Internacional Democrata Cristã) e da União de Partidos de Centro Latino-Americanos.

Agripino  diz que não revela o voto apenas para não dar chances a Demóstenes de pedir anulação do processo. Mas, na entrevista, deixa claro que foi ele quem liderou o DEM na decisão de expulsar o senador da legenda e que concorda com a avaliação do presidente do Senado, José Sarney, segundo a qual a situação de Demóstenes “é muito frágil”.

Ao explicar essa fragilidade, Agripino praticamente revela o voto: “Um sentimento de auto-defesa do Senado. Os senadores entendem que uma negativa à cassação deixaria a Casa exposta.”

Poder Online – O senhor faltou à sessão em que a CCJ votou pela cassação de Demóstenes Torres. Isso gerou especulações de que o DEM votará por sua absolvição nesta quarta-feira, no plenário.

José Agripino Maia – O DEM expulsou Demóstenes de seus quadros logo que as denúncias contra ele apareceram. Diante disso, ninguém tem moral para suspeitar do partido.

Poder Online – E qual será o seu voto?

José Agripino Maia – Pois é. Não revelei o voto publicamente e não revelarei agora porque isto beneficiaria o próprio Demóstenes, dando-lhe argumento para pedir a anulação do processo. Afinal, a Constituição determina a votação secreta para casos de cassação de mandatos. Mas basta ver como o DEM se comportou logo que apareceram as denúncias, sob a minha liderança, para concluir como nós do partido estamos, estivemos e estaremos nos comportando.

Poder Online – E por que o senhor não compareceu à votação na CCJ.

José Agripino Maia – Primeiro, porque o resultado já estava definido, independentemente do meu voto. Todos nós senadores já tínhamos essa avaliação. Depois, porque estava e ainda estou em missão partidária no exterior. Falo com você dos EUA, mas na segunda-feira já estarei no Brasil.

Poder Online – Quanto à votação de quarta-feira, qual deverá ser o resultado?

José Agripino Maia – O que posso dizer é que concordo com o residente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Ele avaliou que a situação do senador Demóstenes é muito frágil. Eu também acho.

Poder Online – Por quê?

José Agripino Maia – Porque há um sentimento de autodefesa do Senado. Os senadores entendem que uma negativa à cassação deixaria a Casa exposta, em choque muito frontal com aquilo que deseja a opinião pública.

Poder Online – E quanto ao Carlinhos Cachoeira? Qual sua avaliação? Ele comandava mesmo uma organização criminosa com tentáculos no meio político?

José Agripino Maia – Acho que o fundamental desse caso é apurar a conexão deste senhor com a construtora Delta. E elucidarmos os contratos da Delta. É aí que ocorreu o desvio do dinheiro público, e o fundamental é levantarmos como e quanto de prejuízo eles causaram aos cofres públicos.

Poder Online – E esse objetivo será alcançado?

José Agripino Maia – Acho que há tentativas de se contornar esse objetivo. Porque é evidente que a maior parte dos contratos da Delta foram fechados com o governo federal. A maior parte das obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) tinham a Delta.

Poder Online – Mas também tinham obras com governos estaduais. O caso das obras do Tietê, fechadas com o governo tucano de São Paulo, por exemplo…

José Agripino Maia – Seja lá de quem for. Tem que apurar todos os contratos da Delta. Chegue onde chegar. É aí que está o mau uso do dinheiro público.

Poder Online – A convocação do dono da Delta, Fernando Cavendish, ajuda?

José Agripino Maia – Claro que ajuda. A dele e a dos ex-diretor-geral do DNIT Luiz Antônio Pagot.

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