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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013 Brasil | 11:00

SNI vetou ingresso de Fonteles no Ministério Público

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A reconstituição dos anos de chumbo tem trazido à memória dramas pessoais que o procurador Claudio Fonteles, coordenador da Comissão Nacional da Verdade, havia deixado no passado.

Fonteles foi perseguido, escondeu-se da polícia e, mais tarde, teve seu nome vetado pelo SNI quando tentou ingressar no Ministério Público Federal (MPF), em 1973.

“Havia sido aprovado na prova escrita, mas precisava ainda passar pelo o ‘exame’ do SNI para fazer a prova oral. Encaminharam meu nome com uma pergunta: pode seguir? Não pode, respondeu o SNI”.

O futuro procurador, que se tornaria o primeiro chefe do MPF de Lula foi vetado por causa da militância na Ação Popular, organização de origem católica que se dividiu entre a luta armada e o enfrentamento político.

Ele revela que quem derrubou o veto foi o ex-procurador geral da República, Henrique Fonseca de Araújo, que peitou o SNI colocando seu cargo à disposição numa conversa transparente com o então ministro da Casa Civil do governo Geisel, Leitão de Abreu.

Araújo explicou que sabia dos ideais socialistas do candidato a procurador, mas que ele era homem de sua estrita confiança. Leitão de Abreu argumentou que se tratava de um comunista.

Amigo e conterrâneo do chefe da Casa Civil, Araújo condicionou: se o veto fosse mantido, ele deixaria a função de consultor de Leitão de Abreu e voltaria para o Rio Grande do Sul. O então ministro acabou rasgando o veto do SNI e Fonteles iniciaria a trajetória que o levou ao topo da carreira.

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