Publicidade

terça-feira, 18 de junho de 2013 Eleições | 20:34

Protestos e negociação de tarifas de ônibus abrem queda de braço para 2014

Compartilhe: Twitter

Demorou alguns dias, mas as manifestações que atingem várias capitais do País acabaram se transformando nesta terça-feira em palco evidente para a disputa entre os cotados para disputar o Palácio do Planalto no ano que vem. Apenas poucas horas após o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, assumir a dianteira no anúncio de redução da tarifa de ônibus no Recife, a presidente Dilma Rousseff se reunia com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outros integrantes de seu grupo de confiança para avaliar o impacto dos protestos em sua imagem e a possibilidade de baixar o preço das passagens também na capital paulista.

Dilma e Eduardo Campos assumiram a dianteira na negociação de tarifas

Ontem, tudo parecia diferente. Eduardo Campos, até então, evitava se associar diretamente ao tema. No PT, tanto dirigentes quanto pessoas próximas ao Palácio do Planalto eram unânimes em dizer que o prefeito da capital paulista, Fernando Haddad, não deveria ceder à pressão pela redução do preço da passagem de ônibus em São Paulo.

Leia também: PT investe em desoneração e crítica à violência para dissipar desgaste do protesto

Nos bastidores, eles argumentavam que baixar a tarifa seria passar à população a mensagem de que havia margem para evitar o reajuste desde o início. Também diziam que, se não fosse a isenção de PIS e Cofins  anunciada recentemente pela presidente para o setor, a passagem em São Paulo poderia ter ultrapassado a marca de R$ 4. Como o Poder Online adiantou nesta terça-feira, o plano, desde ontem, era investir no discurso sobre a desoneração promovida pela presidente e nas críticas à violência contra os manifestantes, para tentar dissipar o desgaste provocado pelos protestos.

Do lado do PSB, o anúncio da redução tarifária feito por Campos acabou tendo o reforço de prefeitos de Foz do Iguaçu, Reni Pereira; Cuiabá, Mauro Mendes; além de Geraldo Júlio, do Recife. Do lado petista, o reforço veio com Luciano Cartaxo, de João Pessoa.

Saiba mais: Dimensão tomada pelos protestos pegou governo de surpresa

No ninho tucano, os protestos e as pressões pela redução das tarifas também embalaram o senador mineiro Aécio Neves (PSDB-MG), que viu a oportunidade de se colocar ao lado do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para comentar o assunto. Os dois participaram da abertura de uma exposição no Congresso, pelo aniversário do PSDB. Aécio criticou Dilma, dizendo que o “Brasil róseo e sem miséria da propaganda oficial” não existe. Aliados do mineiro afirmam, entretanto, que a ordem é ir devagar. Segundo um interlocutor de Aécio, “o momento é de observar e não de agir”.

Tanto petistas como tucanos admitem que os protestos podem acabar alimentando o discurso de uma quarta presidenciável, a ex-senadora Marina Silva, que corre para tentar viabilizar seu novo partido, a Rede Sustentabilidade.  Marina, por enquanto, tem evitado se colocar na linha de frente do debate. Adversários avaliam, entretanto, que a ex-verde não tardará para associar sua imagem às manifestações.

Autor: Tags: , ,

Nenhum comentário, seja o primeiro.

Os comentários do texto estão encerrados.