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domingo, 24 de novembro de 2013 Congresso | 06:00

‘Vitória do voto aberto será muito difícil’, diz Rodrigo Rollemberg

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Escalado como um dos principais estrategistas para a votação da PEC do voto aberto no Senado, Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) faz previsões pessimistas para o futuro da proposta. “Será uma votação muito difícil. Se não houver uma pressão muito grande da opinião pública até lá, a vitória do voto aberto em todas as modalidades de votação será muito difícil”, diz Rollemberg.

O senador Rodrigo Rollemberg (Foto: Agência Senado)

O senador Rodrigo Rollemberg (Foto: Agência Senado)

Ele culpa principalmente o PSDB, que fechou questão em torno da proposta de Aloysio Nunes (PSDB-SP), que prevê algumas exceções ao voto aberto, como para casos de apreciação de vetos presidenciais. “Com a mudança de posição, com o fechamento de questão do PSDB, perdemos muitos votos e isso dificultará nosso trabalho”, acredita ele.

Os defensores do voto aberto total planejam agora uma série de ações regimentais para tentar dobrar a resistência daqueles que não querem a PEC aprovada, movimento que tem apoio do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

Rollemberg fala ainda de sua pré-campanha ao governo do Distrito Federal com otimismo, apontando a formação de uma chapa com Reguffe (PDT-DF). “Temos conversado bastante e ele acha que o anúncio desse posicionamento formal deve ser feito depois do carnaval”, afirma o socialista.

Poder Online – O que o senhor espera da votação da PEC do voto aberto na próxima terça-feira?
Rodrigo Rollemberg – Será uma votação muito difícil. Se não houver uma pressão muito grande da opinião pública até lá, a vitória do voto aberto em todas as modalidades de votação será muito difícil. Já tínhamos uma situação muito apertada e esta semana o PSDB fechou questão em torno de uma posição do voto secreto para apreciação de vetos. Com isso, ficou muito mais difícil aprovar o voto aberto em todas as modalidades de votação.

Então, o que deve ser aprovado na terça-feira? Um voto aberto possível?
Eu diria que, com segurança, o plenário aprovará o voto aberto para apreciação de cassação de parlamentares, mas vamos tentar avançar no sentido de aprovar o voto aberto total. Se não for possível, pelo menos o voto aberto para outras modalidades de votação. Vamos tentar chegar a um ponto da votação em que os senadores terão de optar pelo voto total ou nada.

Como será isso?
Por táticas e enfrentamentos regimentais como fizemos na votação passada, quando conseguimos eliminar os destaques. Com isso, conseguimos aprovar em primeiro turno a PEC do voto aberto para todas as modalidades de votação. Mas com a mudança de posição, com o fechamento de questão do PSDB, perdemos muitos votos e isso dificultará nosso trabalho.

Quem o senhor diria que está se posicionando contrariamente ao voto aberto? O Renan Calheiros é contra o voto aberto?
Sim, ele é contrário ao voto aberto em todas as modalidades de votação. Ele, o PMDB, grande parte deles, e o PSDB e alguns outros parlamentares de outros partidos. Estão a favor do voto aberto o PSB, com seus quatro senadores, o PSOL, com o Randolfe (Rodrigues) e o PT, com praticamente todos os seus senadores.

O projeto do Aloysio Nunes não é tão restritivo ao voto aberto a ponto de reduzi-lo às votações de cassação de mandato. Ele aceitava voto aberto para outros casos, mas o restringia para a apreciação de vetos e autoridades. O senhor acha que esse é o meio termo possível?
Pode ser que o Senado opte por um entendimento em que concilie posições. Tudo é possível daqui até terça-feira.

O apelo popular pode ter algum peso para modificar esse cenário?
Gostaria que pesasse. Até sugeri ao presidente Renan Calheiros que colocasse na página do Senado um enquete para que a população pudesse  – já que o Senado dispõe desse recurso – se posicionar se quer o voto aberto em todas as modalidades ou se quer o voto aberto restrito. Infelizmente, não fui atendido porque o presidente Renan é contra o voto aberto total e ele sabe qual é a posição da população. A população é amplamente favorável ao voto aberto.

Como está evoluindo sua pré-candidatura ao governo do Distrito Federal?
Bem. Dedicamos um ano a estudar em profundidade o Distrito Federal. Implementamos 12 núcleos temáticos que estão estudando o Distrito Federal com profundidade. Realizamos dois seminários nas cidades discutindo políticas públicas e um terceiro ontem na cidade do Gama. Além disso, uma comitiva de quatro integrantes que está trabalhando na elaboração do plano de governo esteve em Pernambuco para conhecer o modelo de gestão do governador Eduardo Campos. Diria que estamos agregando muito valor a esse processo de reflexão sobre o Distrito Federal e de construção de políticas públicas.

O que o senhor pretende trazer da administração Campos em Pernambuco para o Distrito Federal?
O que nos impressionou bastante é o modelo de gestão, que é baseado em planejamento, execução, acompanhamento e ajustes e isso é feito de forma regular, permanente, de perto com a participação do governador, com definição clara de responsabilidades e que tem dado resultados claros em que a população reconhece o governador Eduardo Campos como o melhor governador do Brasil.

O senhor já definiu quem será o coordenador da campanha?
Não. Temos um coordenador do programa de governo, que é o professor Paulo Sales, um pós-doutor em ecologia, pela universidade de Edimburgo (Escócia), uma pessoa muito experiente.

E o Reguffe, vem para essa chapa ou não vem?
Tenho conversado bastante com o Reguffe, temos muita afinidade e essa é a disposição comum, de estarmos juntos numa única chapa em 2014.

E como está o diálogo entre Rede e PSB, o senhor pode detalhar um pouco isso?
O diálogo com a Rede está muito bom. Nesses seminários temáticos a Rede tem participado, tem mandado representantes e aqui no Distrito Federal o entendimento é o melhor possível.

O senhor acha então que será possível formar uma chapa conjunta com a Rede no Distrito Federal?
A Rede aqui já está participando. Não tenho dúvida de que a Rede gostaria muito, como nós do PSB também e tenho convicção de que o PDT também, de estarmos todos juntos. Reguffe e eu na mesma chapa é algo que atenderia a todos, PSB, PDT e Rede.

Como ele tem reagido a essa perspectiva?
Muito bem. Temos conversado bastante e ele acha que o anúncio desse posicionamento formal deve ser feito depois do carnaval.

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