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domingo, 16 de fevereiro de 2014 Política | 07:00

‘Joaquim Barbosa faz uma nítida perseguição ao PT’, diz André Vargas

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Depois de levantar o braço em protesto contra Joaquim Barbosa, quando estava sentado ao lado do presidente do STF, o deputado André Vargas (PT-PR) diz que o ministro só faz abusar da autoridade que tem no tribunal. Segundo ele, “forçou a mão” desde o início do julgamento do mensalão e abusou novamente nesta semana, ao revogar decisões do vice-presidente da Corte, Ricardo Lewandowski, sobre o pedido de autorização de trabalho do ex-ministro José Dirceu.

“O que o Joaquim Barbosa faz é uma nítida perseguição ao PT. É a antipolítica”, reclama Vargas. Ao Poder Online, o deputado, que recentemente chamou a atenção ao levantar o braço em protesto quando estava sentado ao lado do presidente do STF, diz que o gesto de resistência – que imitava aquele feito pelos petistas presos –  “foi redenção”. Confira a entrevista.

André Vargas, em selfie ao lado de Joaquim Barbosa, logo após levantar o braço contra o presidente do STF

André Vargas, em selfie ao lado de Joaquim Barbosa, logo após levantar o braço contra o presidente do STF

Como o senhor recebeu a notícia sobre a decisão do presidente Joaquim Barbosa de rever medidas tomadas pelo ministro Lewandowski no caso de José Dirceu?
Acho que o Joaquim Barbosa, nesse episódio todo, age mais uma vez como membro do Ministério Público. Ele age como advogado de acusação e não como juiz. O fato é que desde o começo do julgamento do mensalão, ele forçou a mão. Forçou pesado, foi fora da curva mesmo. Isso desde a teoria do domínio do fato, que se fosse aplicada no setor privado resultaria na prisão de muito presidente de banco por aí. E depois, já na presidência do STF, ele só meteu o pé pelas mãos. Aos poucos, ele atacou juízes, colegas, advogados, o Congresso e já foi deselegante até com a presidente da República. É um tipo de comportamento que ele tem, não deveria ser assim. 

Quando o senhor levantou o braço ao lado dele estava então protestando contra isso tudo?
Não foi um gesto calculado. Foi natural, intuitivo. Eu, sinceramente, acho que quando o (José) Genoino fez aquele gesto – ele foi o primeiro a ser preso – muitos esperavam uma cena como essa. Um atrás, quando eu conversava com ele sobre esse assunto, o Genoino já dizia que não ia se calar. Aquilo foi a rendeção. Para muita gente isso foi simbólico. É não aceitar ser tratado como bandido. E não é só o PT que acha isso. Muitos juristas e especialistas acham que houve exagero no julgamento do mensalão. 

O caso da autorização de trabalho do Dirceu foi exagero também?
Foi um abuso de autoridade. O que o Joaquim Barbosa faz é uma nítida perseguição ao PT. É a antipolítica. Mas esse cara não vai mudar. E se a gente se posiciona diante disso tudo, ao menos ajuda a evitar que isso siga acontecendo. A situação do país é um absurdo. Não tem a ver só com o PT.

Acontece no mensalão mineiro também?
Eu não sou daqueles que torcem pelo quanto pior melhor. Infelizmente, eu acho que vão acabar aplicando penas equivalentes no caso do mensalão mineiro também. Não se pode culpar uma pessoa que estava em campanha por tudo o que tenha acontecido na campanha. Ainda mais quando sabemos que há problemas que aconteceram em todas as campanhas. No Brasil tem muita hipocrisia. Todo mundo defende financiamento público, mas todos sabem que uma campanha tem dificuldade com isso.

E o que o senhor espera do STF no caso das doações de empresas?
Acho que é equivoco grave simplesmente proibir as doações. Não se pode tirar um tipo de financiamento sem substitui-lo por outro. Não se pode mudar o financiamento de campanha sem mudar o resto.

Mas a culpa disso não é do Congresso, que não vota a reforma política?
Sim, culpa nossa total. Mas é também da sociedade como um todo, que não faz um debate sério sobre isso. Toda vez que se fala nesse assunto, dali a pouco alguém começa a dizer que o financiamento público tiraria dinheiro da saúde, da educação. Como se a democracia não fosse importante. 

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