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domingo, 27 de abril de 2014 Eleições | 08:00

‘Temos uma disputa com o governo, mas também com o PSDB’, diz vice-presidente do PSB

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Roberto Amaral, vice-presidente do PSB. (Foto: Divulgação)

Roberto Amaral, vice-presidente do PSB. (Foto: Divulgação)

Direto de mais um encontro da campanha de Eduardo Campos, desta vez na região Norte, o vice-presidente nacional do PSB e ex-ministro da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, relativiza o acordo de cavalheiros firmado com o PSDB do senador mineiro Aécio Neves.

Ele admite uma vantagem estratégica na atuação conjunta neste início de campanha, mas avisa: “Temos uma disputa com o governo, mas também uma disputa eleitoral objetiva com o PSDB”.

A estratégia de Campos, diz ele, já está bem definida. “A prioridade eleitoral é o que eu chamo de triângulo das bermudas: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro”, afirma Amaral. Se no RJ o objetivo é um excelente desempenho entre os eleitores, em Minas Gerais Amaral já se contenta em diminuir a força do tucano Aécio Neves. Já em SP, as indefinições permanecem, mas a ordem é trabalhar para divulgar o nome de Eduardo Campos.

Amaral defende, porém, que o partido não deve entrar no jogo das polêmicas baixas. “Nossa proposta é evitar que esse pleito seja um repeteco da pobreza ideológica que foi a disputa Dilma e Serra, em 2010. Como eu falei, cansamos dessa dicotomia.”

Poder Online: As pesquisas mostram que o principal desempenho do Eduardo Campos ainda é no nordeste, mas que nas outras regiões está por volta dos 4%…
Roberto Amaral: Eu não estou lendo pesquisa nenhuma, não estou preocupado com nenhuma delas. A gente sabe que pesquisa com muita antecedência tem uma possibilidade de manipulação muito grande. A essa altura, uma pesquisa e nada é a mesma coisa. O que pode fazer alguma diferença é a pesquisa qualitativa, aí sim.

Como quais, por exemplo?
Como as que dizem que há um desgaste muito grande do governo, um desejo por mudança. Mas que, ao mesmo tempo, os que não estão satisfeitos com o atual sistema também não querem uma mudança brusca, como representa o Aécio. Eu leio essas sondagens qualitativas como indicadores do grande espaço para a alvorada do Eduardo campos.

Uma outra pesquisa interessante para o Campos é a de que, entre o eleitorado que conhece bem Dilma, Aécio e Campos ele poderia superar até a Dilma, não é?
Exatamente. Ele é desconhecido, mas entre os que conhece passa a crescer muito. Então a nossa estratégia é clara, está nos discursos. Vamos fazer a mudança, mas não vamos olhar o Brasil pelo retrovisor, vamos olhar pelo para-brisas. Corrigir o que precisa ser corrigido e melhorar o que precisa ser melhorado. O país está cansado dessa dicotomia.

O senhor já defendeu diversas vezes que a candidatura do Campos não é de oposição ao atual governo. Mas como conciliar essa postura e o pacto de não-agressão com o Aécio Neves?
Nós não somos oposição porque temos uma parcela de responsabilidade deste governo, que não vamos jogar pela janela. Participamos de todo o governo Lula e parte do governo Dilma. E também não temos propriamente um pacto de não-agressão. O que foi feito, inicialmente, é um entendimento de que não deveríamos ficar nos esgaçando – PSB e PSDB – enquanto o governo ficaria só olhando da plateia. Mas também sabemos que só temos duas opções, no quadro de hoje – e amanhã posso dar outra resposta. Ou a Dilma se elege no primeiro turno ou vai para o segundo. Neste caso, só sobra uma vaga para o Campos e o Aécio disputarem. Ou seja, temos uma disputa com o governo, mas também uma disputa eleitoral objetiva com o PSDB.

Como isso está funcionando nos estados? Aliás, não só a relação com o PSDB, mas também internamente, com a Rede.
O PSB e a Rede são dois partidos, mas a candidatura do Eduardo está confirmada e Marina é a vice. Nós estamos unificados no plano nacional e em cerca de 20 ou mais unidades federativas. Só em dois ou três estados é que não vamos juntos. Isso é normal. No Acre estamos apoiando o PT – e muito em solidariedade à Marina, que sempre foi aliada do Tião Viana. No Rio de Janeiro apoiamos o Miro Teixeira do PROS e a Marina foi a principal defensora. No Rio Grande do Sul vamos apoiar o candidato do PMDB, Pedro Simon, que também foi defendido pela Marina. Ou seja, sempre que é possível, saímos juntos.

E em São Paulo? Com a ida do Márcio França (PSB-SP) para a coordenação de campanha do Campos, abre mais espaço para a Rede indicar um nome que agrade mais à Marina Silva?
Na hipótese de uma candidatura própria em São Paulo, o candidato natural do PSB é o presidente do partido estadual, Márcio França. A executiva nacional o convidou para coordenar a campanha do Campos. Ele acha que pode ser candidato e coordenador da campanha. A executiva discorda.

Qual a opinião do senhor?
Eu acho que uma coisa é complicadora da outra. Como é que eu vou explicar, para a população, que a candidatura dele é uma coisa mesmo pra valer? Nós queremos uma candidatura forte, para mexer. É verdade que, por enquanto, nós estamos com um cavalo lá atrás, um pangaré. Mas queremos fazer uma campanha que ajude o Campos. A estratégia principal em São Paulo é divulgar o nome dele. Além disso, estamos sentindo a falta do França na executiva, pela sua experiência. Ele é um excepcional articulador.

Se não houver uma candidatura própria, em São Paulo, quem o partido deve apoiar? Há alguma chance de sair com Geraldo Alckmin (PSDB), por exemplo?
Essa é uma hipótese com a qual eu não trabalho. Se não for candidatura própria, teremos que discutir – mas terá que ser alguém do nosso bloco, da nossa base.

O senhor disse que, em São Paulo, a prioridade é divulgar o nome do Eduardo Campos. Qual é a estratégia da campanha para aumentar a intenção de votos para além do Nordeste?
É uma estratégia óbvia. Primeiro vamos nos fortalecer, sedimentar, no nordeste. Segundo, queremos avançar especialmente no sul, onde o PT não tem tido bom desempenho eleitoral, historicamente. Mas a prioridade eleitoral é o que eu chamo de triângulo das bermudas: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Mas cada um desses estados tem um cenário bem diferente, não é?
Sim. Por isso temos estratégias diferentes. Queremos um excelente desempenho no Rio de Janeiro. Estamos convencidos de que podemos ir pra cabeça dos cariocas. A Marina vai participar ativamente dessa campanha, inclusive porque o Miro Teixeira tem muita identificação com ela e com a Rede. Além disso, 43%  do eleitorado é na capital, o que cria uma situação muito específica.  Lá a máquina do Estado funciona menos e nós apostamos também no desgaste do Cabral e do Paes. Temos razões objetivas para acreditar que é uma eleição competitiva. Agora, em São Paulo, queremos ter um bom desempenho. E, em Minas, o objetivo é diminuir o desempenho do Aécio.

Eduardo Campos, recentemente, chegou a entrar em uma série de polêmicas que marcaram muito o debate de 2010 – como aborto, maioridade penal. O tom da campanha vai ser polemizar?
Não, de jeito nenhum. Sou contra essas polêmicas, elas só empobrecem a política. Nossa proposta é evitar que esse pleito seja um repeteco da pobreza ideológica que foi a disputa Dilma e Serra, em 2010. Como eu falei, cansamos dessa dicotomia.

Leia também: Rede volta a falar em Walter Feldman e Ricardo Young para eleição em SP

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