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domingo, 8 de junho de 2014 Congresso | 08:00

‘Quem elogia Eduardo Cunha é a presidente Dilma. Eu defendo a aliança PT-PMDB’, diz Vaccarezza

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Alvo de críticas dentro de seu próprio partido, o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) minimiza a tese de que age em conjunto com o líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), contribuindo para dar munição ao peemedebista contra o Palácio do Planalto.

Depois de protagonizar a polêmica articulação de uma proposta de reforma política que dá sobrevida ao financiamento privado de campanha, Vaccarezza diz que apenas trabalha pela aliança prioritária com o PMDB e que tem muito clara sua opinião sobre a reforma política.

“Quem elogiou Eduardo Cunha na última reunião que teve foi a presidente Dilma. Agora, eu defendo a aliança do PT com o PMDB”, diz o deputado, que defende que o financiamento privado das campanhas seja opcional, enquanto o PT defende o financiamento público exclusivo.

Alvo de um pedido no PT para lhe seja negada a legenda na eleição deste ano, Vaccarezza diz acreditar que tem o direito de ter opinião diferente da de seu partido, desde que acompanhe as orientações da bancada na hora de votar. ” O fato é que não há um voto meu sequer registrado contra o PT. Agora, eu tenho direito à minha opinião. Tenho direito ao debate e a dizer o que eu penso. Não significa que estou contra o meu partido.”

Vaccarezza: meta é perder 25 kgs (Foto: José Cruz/ABr)

Vaccarezza: meta é perder 25 kgs (Foto: José Cruz/ABr)

Confira os principais trechos da entrevista ao Poder Online: 

O senhor foi parar no meio de uma polêmica com seu partido por causa da reforma política. Como o senhor rebate as críticas?
A reforma política é uma necessidade para o aprofundamento da democracia no país. O PT tem posição clara a favor do financiamento público exclusivo. Eu sempre votei com o PT. Mas é público e notório que eu tenho uma opinião diferente em relação a este assunto. Todos sabem qual é a minha posição.

O senhor é a favor da manutenção do financiamento privado de campanha. 
Não. Sou a favor de que o financiamento privado seja opcional. Acho que deve existir essa alternativa. Eu sou favorável ao financiamento público, optaria pelo financiamento público. Mas acho que deve ser uma escolha. Mas o fato é que esta foi a primeira vez em que o financiamento público foi parte de uma PEC (proposta de emenda constitucional). Antes disso, nada andava. Agora, isso está numa PEC na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).

Mas o PT mandou enterrar a PEC. 
Se o PT tiver forças para tanto, vai enterrar. Mas o fato é que não há um voto meu sequer registrado contra o PT. Agora, eu tenho direito à minha opinião. Tenho direito ao debate e a dizer o que eu penso. Não significa que estou contra o meu partido.

Mas há um grupo que diz que o senhor ajuda a fortalecer o líder do PMDB, Eduardo Cunha, em uma estratégia contra o Planalto.
Este grupo se esconde atrás do anonimato. Sim, porque ninguém no PT nunca disse isso. E quem elogiou Eduardo Cunha na última reunião que teve foi a presidente Dilma. Agora, eu defendo a aliança do PT com o PMDB. É isso o que eu defendo.

Há uma ala do seu partido que propôs que lhe seja negada legenda para disputar a eleição para deputado federal, por conta dessa polêmica da reforma política. Como o senhor responde? 
Isso foi apresentado ao diretório, mas não acredito que exista uma discussão real. O partido não concorda com isso. Eu não conheço em detalhes o que está sendo apresentado. Mas sei que o que se diz no diretório é que meu nome tem aprovação por unanimidade para entrar na chapa de deputados do PT.

Isso significa que o senhor se vê como vítima da disputa interna?
Não tenho do que reclamar do PT. Fui líder do PT, líder do governo, nos governos de Lula e de Dilma. Se existe alguém sendo discriminado no partido, não sou eu. Sinto que o PT me dá apoio.

A citação ao seu nome na Operação Lava-Jato da PF ajudou a criar um desgaste ainda maior?
Não acredito nisso. Até porque todos já tomaram conhecimento do que transcorreu na operação. Eu tive acesso a esse material e meu nome é apenas citado numa conversa. E não há indício de nada criminoso. Eu avalio que saí fortalecido desse processo todo.

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