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domingo, 22 de junho de 2014 Congresso | 08:00

‘A grande contradição é se Pasadena foi ou não um bom negócio’, diz Marco Maia

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Deputado Federal Marco Maia (PT-RS), relator da CPMI da Petrobras. (Foto: JBatista / Divulgação)

Deputado Federal Marco Maia (PT-RS), relator da CPMI da Petrobras. (Foto: JBatista / Divulgação)

Relator da CPMI da Petrobras, o deputado federal Marco Maia (PT-RS) minimiza a desaceleração nos trabalhos da comissão em meio ao clima de Copa e recesso branco no Congresso. Dizendo esperar a conclusão dos trabalhos dentro do prazo, o petista diz que a prioridade no momento é esclarecer a contradição deixada pelas versões do ex-presidente da empresa José Sérgio Gabrielli e da atual presidente Graça Foster.

“A grande contradição das falas que nós ouvimos até o momento: se foi ou não um bom negócio à época”, afirma, em referência à compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.

O ex-presidente da Câmara dos Deputados afirma que, “salvo raríssimas excessões”, não vê nos integrantes da comissão a intenção de se aproveitar do espaço eleitoralmente. Mas reconhece que alguns aproveitam o holofote. “É óbvio que sempre há um ou outro deputado que, na ânsia de aparecer mais na televisão, criar um fato político, acaba extrapolando a razoabilidade do trabalho da CPI. Confira os principais trechos da entrevista.

Poder Online: Foi só começar a Copa do Mundo que já não deu mais quórum na reunião da CPMI da Petrobras. Com as eleições, então, será que o ritmo será comprometido?
Deputado Marco Maia (PT-RS): Nós estamos iniciando a CPMI e é natural que, nesse momento, a gente tenha um ritmo mais lento do que o normal, já que nessa primeira fase nós estamos recolhendo documentos, buscando informações, ouvindo os primeiros depoimentos, para a partir disso dar um ritmo. Óbvio que por estar junto da Copa do Mundo e do processo eleitoral, vai exigir um esforço redobrado dos membros da CPMI de poder acompanhar o processo todo, já que, na sua grande maioria, são candidatos a reeleição no dia 05 de outubro. Mas minha expectativa é de que gradativamente a gente vá dando o ritmo.

Agora que já passaram algumas semanas, o senhor percebe alguma diferença específica no andamento da CPI exclusiva do Senado? A presença da oposição, por exemplo, tem causado algum tensionamento?
Olha, nós temos duas CPIs iguais, mas com tempos diferentes e com pessoas diferentes na sua condução – tirando o presidente. A presença da oposição dá à CPMI uma característica de maior debate, maior discussão. Vai possibilitar que se aprofunde mais alguns temas que na CPI do Senado não serão aprofundados por sua composição. Agora, as duas CPIs existem, estão trabalhando e, na minha avaliação, irão produzir relatórios que serão disponibilizados aos órgãos de segurança e do judiciário. Não vejo hoje a possibilidade de termos o encerramento de uma ou de outra CPI, em função do ritmo já adotado pela CPI do Senado e pelas investigações já conduzidas.

Como tem sido o diálogo com o senador José Pimentel, relator da CPI do Senado?
Nós temos conversado permanentemente. Temos compartilhado informações a toda hora – as informações que já foram requeridas pela CPI do Senado serão compartilhadas com a CPMI, o que vai nos ajudar inclusive a acelerar os trabalhos, já que não vamos precisar repetir o pedido.

Em termos de novidade, o que o senhor destacaria no último depoimento da presidente da Petrobras, Graça Foster – que veio ao Congresso Nacional pela quarta vez, na última semana?
Acho que a presidenta Graça foi mais uma vez muito contundente. Respondeu a todos os questionamentos e, na minha avaliação, acrescentou pouco às informações que já tínhamos recolhido com seus depoimentos. De qualquer forma, era uma etapa que precisava ser cumprida pela CPMI. Alguns entendiam que deveria ser mais para frente, quando poderíamos ter fatos novos, e outros, agora. Venceu a tese de que deveria ser agora.

E na vinda do José Sergio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras, na próxima quarta-feira, o que o senhor pretende explorar de inédito?
Nós vamos ter que mais uma vez ouvi-lo e, principalmente, confrontar suas afirmações com as da presidenta Graça Foster. Me parece que esta é a grande contradição das falas que nós ouvimos até o momento: se foi ou não um bom negócio à época. O caso específico dos dois é o da refinaria de Pasadena e, portanto, esse deve ser o tema que eu mais irei explorar nas oitivas. Precisamos confrontar não só as falas deles, mas com documentos, estudos técnicos, análises de processos que foram constituídos para a compra da refinaria. Então, há a oitiva, mas também um trabalho muito técnico que tem de ser realizado de investigação.

O senhor concorda com as afirmações de que a CPI está sendo usada pela oposição como palanque, mais do que como instrumento de investigação propriamente dito?
Eu enxergo que todos os parlamentares – com raríssimas excessões – estão ali para fazer um trabalho sério e investigar as denúncias que envolvem a Petrobras. Sejam eles da situação ou da oposição. Não há nenhuma intenção de transformar a CPI em palanque. Agora é óbvio que sempre há um ou outro deputado que, na ânsia de aparecer mais na televisão, criar um fato político, acaba extrapolando a razoabilidade do trabalho da CPI.

Quanto tempo o senhor acha que a CPI levará para concluir as investigações?
Nós temos 180 dias e acho que será possível concluir os trabalhos dentro do prazo, mesmo com este calendário mais lento no início. A partir do momento que nós começarmos as oitivas e a receber os documentos, a CPMI vai ampliar sua atuação e seu trabalho.

Há algum risco de o relatório final não poder ser aprovado, por falta de consenso, como ocorreu na CPI do Cachoeira, por exemplo?
Não. Nós vamos trabalhar sempre de forma muito transparente e objetiva, ouvindo todo mundo, tentando construir acordos e consensos que nos permitam avançar e construir um bom relatório. O nosso esforço vai ser no sentido de investigar à exaustão, dar a oportunidade para que todos possam contribuir com o processo de investigação e produzir um relatório que esteja de acordo com aquilo. Se conseguirmos fazer isso, teremos um bom acordo para a aprovação do relatório.

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