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domingo, 29 de junho de 2014 Eleições | 08:00

‘É possível promover mudança com experiência’, diz presidente do PSB mineiro

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Presidente do PSB mineiro e até a semana passada pré-candidato ao governo do estado, o deputado Júlio Delgado (PSB-MG) explica a decisão de abandonar a corrida estadual para disputar a reeleição. Após o PSB lançar seu pai, Tarcísio Delgado, em seu lugar na disputa para o governo, ele nega ter resistido a ir para o sacrifício. Segundo ele, a decisão foi tomada pela combinação entre o desfalque do PSB na Câmara e suas atribuições como deputado federal.

Delgado minimiza a polarização da eleição em Minas. E nega que a candidatura do PSB vá servir como linha auxiliar dos tucanos no estado. “Posso dizer sem sombra de dúvidas que nós não queremos trazer para Minas Gerais esse desgoverno de Brasília, representado na gestão do Pimentel no ministério. Nem queremos o enjoo que se vê em Minas hoje. Nesse caso, podemos dizer claramente que, para nós, já chega de choque de gestão”, disse.

Deputado federal Julio Delgado (PSB-MG). Foto: Gustavo Lima / Agência CâmaraEle também diz não ver problemas no fato de a eleição em Minas agora ser dominada por quadros veteranos – Tarcísio tem 78 anos.  “É perfeitamente possível promover a mudança com experiência”, diz ele.

Confira os principais trechos da entrevista:

O PSB falava em lançar o senhor candidato ao governo e acabou optando pelo seu pai, Tarcísio Delgado. Como o senhor explica uma mudança dessas tão em cima da hora?
Nós já estávamos convencidos de que o melhor era caminhar com uma candidatura própria. Analisando o quadro de candidaturas, chegamos à conclusão de que, com o Márcio Lacerda no posto de vice em São Paulo, o Beto Albuquerque e o Romário na disputa para o Senado, o impacto na nossa bancada seria grande demais. Este foi o problema de ordem futura que identificamos. Agora, o problema de ordem presidente é que meu mandato atual de deputado exige uma dedicação minha integral neste momento. Sou relator do caso André Vargas no Conselho de Ética, sou o único representante do PSB na CPMI da Petrobras. Seria necessário sacrificar essas funções para me dedicar à campanha. Sem contar que poderia parecer que eu estou entregando o caso André Vargas. Tenho tarefas neste momento que me impedem de entrar nessa candidatura.

Mas há uma tese de que o senhor simplesmente não queria ir para o sacrifício.
Eu não sou apegado a cargos. E dizer que ser candidato ao governo de Minas é um sacrifício não tem o menor sentido. Ao colocar o nome do meu pai na disputa, o PSB está inclusive atendendo a algo que ele pleiteou por 45 anos no PMDB. Sem contar que ele é um quadro experiente, que está desimpedido e pode se dedicar integralmente à eleição.

Mas há a percepção de que a eleição em Minas está polarizada. Como viabilizar uma terceira via? 
Desde que anunciamos a candidatura do meu pai, as pessoas passaram a nos abordar até na rua. E na própria imprensa voltou a se falar na possibilidade de a disputa ir para o segundo turno. O fato é que os nomes que hoje estão colocados em Minas – os dois “pimentas” (Pimenta da Veiga e Fernando Pimentel) – não atendem ao que eleitor mineiro quer. Nossa percepção é de que há uma brecha maior em Minas até mesmo do que na eleição nacional. Pelas pesquisas que vemos circulando, 60% dos eleitores mostram que não se identificam com essas duas candidaturas.

Esse anúncio da candidatura do PSB também mostrou que a eleição mineira será de veteranos. Não vai contra a renovação que se vê em tantos colégios eleitorais?
É perfeitamente possível promover a mudança com experiência. E isso vale também nacionalmente. O Eduardo Campos é um candidato novo, mas com experiência. Em Minas, acho que de fato se firmou um quadro de candidaturas experientes. Mas o fato é que temos um prefeito em Belo Horizonte que representa o novo e não é necessariamente um quadro jovem. Uma coisa é ter experiência. Outra é ser um quadro político saturado. Quando falamos dos outros políticos que estão colocados, o que vemos é uma saturação.

Há no PT a expectativa de que a candidatura do PSB sirva de linha auxiliar do PSDB, dada a proximidade de vocês com Aécio. 
Eu conversei com o Tarcísio esses dias justamente sobre isso. E posso dizer sem sombra de dúvidas que nós não queremos trazer para Minas Gerais esse desgoverno de Brasília, representado na gestão do Pimentel no ministério. Nem queremos o enjoo que se vê em Minas hoje. Nesse caso, podemos dizer claramente que, para nós, já chega de choque de gestão. Nós participamos desse modelo, mas acreditamos que ele está saturado.

 

 

 

 

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