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domingo, 31 de agosto de 2014 Eleições | 08:00

‘Estão todos acostumados a ver candidatos robôs’, diz Eduardo Jorge

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Sensação no primeiro debate realizado entre os presidenciáveis, o candidato do Partido Verde, Eduardo Jorge, garante que não tem marqueteiro, nem ninguém que decida por ele suas roupas ou posicionamentos. “Só me faltava essa”, disse o presidenciável em entrevista ao Poder Online. “A última que tentou isso foi minha mulher. Ela tenta me controlar, me dizer como me vestir, como eu devo andar, mas não consegue!”

O presidenciável do Partido Verde, Eduardo Jorge. (Foto: Divulgação)

O presidenciável do Partido Verde, Eduardo Jorge. (Foto: Divulgação)

Jorge diz ter ficado lisonjeado com a comparação feita entre ele e o ex-presidenciável Plínio de Arruda, falecido neste ano, mas explica que PV e PSOL são bastante diferentes.  “PSOL, PT, PSB e PSDB fazem parte da mesma família socialista”, diz o presidenciável. “Nós somos a verdadeira terceira via, nos diferenciamos dos partidos capitalistas e socialistas. O PSOL tem o peso da ortodoxia marxista comunista.”

O verde garante, ainda, que tanto a presidente petista Dilma Rousseff como o tucano Aécio Neves também defenderiam publicamente a legalização do aborto e da maconha, se as pesquisas qualitativas assim o permitissem. “São pessoas que têm medo de expressar sua opinião sobre temas tão graves como esses, porque são guiados pelas pesquisas qualitativas o tempo todo”, diz Jorge.

Leia a seguir a conversa com o presidenciável:

Poder Online: O senhor se surpreendeu com a repercussão que sua participação teve após o primeiro debate?
Eduardo Jorge:
As pessoas é que se surpreendem com um candidato defendendo o que ele é, talvez. Sem maquiagem. Tá todo mundo acostumado a ver candidatos robôs, maquiados, comandados por marqueteiros. Quando uma pessoa se mostra como ela é, parece uma coisa estranha.

O senhor tem marqueteiro?
Se você fala em uma pessoa para tomar conta da televisão, sim. Mas quem decide o que eu devo falar sou eu.

E alguém para ajudar a decidir como o senhor vai se vestir, como vai se comportar, em que discurso investir…
A roupa que eu vou usar? (risos) Só me faltava essa. A última que tentou isso foi minha mulher. Ela tenta me controlar, me dizer como me vestir, como eu devo andar. Mas não consegue!

Muito dessa repercussão veio com a defesa de temas polêmicos, como a legalização do aborto e do uso da maconha. Nas eleições isso ainda é tratado como tabu. Por que?
Com exceção da Marina, por uma questão religiosa, os outros dois candidatos daquele que poderíamos chamar de G3 (Dilma Rousseff do PT e Aécio Neves do PSDB) são pessoas cosmopolitas, viajadas. Eu tenho certeza de que pensam igual a mim, nesses temas.

Por que eles não falam sobre isso abertamente?
Porque o pessoal fica medindo a opinião do povo com pesquisas qualitativas e dizendo sobre o eles podem ou não falar. São pessoas que têm medo de expressar sua opinião sobre temas tão graves como esses, porque são guiados pelas pesquisas qualitativas o tempo todo.

Nos últimos dias, o senhor foi comparado com o ex-candidato à presidência Plínio de Arruda Sampaio, do PSOL. O que o senhor achou disso?
O Plínio foi uma pessoa de formação cristã muito ortodoxa e acho que ele evoluiu para uma postura mais liberal no final da vida dele, acho que por isso essa semelhança. Chegando naquela idade, ele disse “agora eu vou ser espontâneo e falar o que eu penso”. Qualquer pessoa ao ser comparada a um homem com aquela trajetória tem que se sentir lisonjeado. Nós fomos companheiros durante muito tempo no PT, às vezes a gente concordava, às vezes não, mas eu sempre o admirei muito.

Algumas pessoas disseram que o senhor ofuscou a presidenciável do PSOL, Luciana Genro, ao fazer uma defesa mais incisiva de certas pautas da esquerda. O senhor concorda com essa avaliação?
Eu não estou concorrendo com A, B ou C. Estou ali para mostrar as minhas ideias e as do PV. Cada um que apresente suas ideias. Agora, o PSOL tem uma dificuldade que é o peso da ortodoxia marxista comunista dentro da regra. O peso é muito grande, porque a responsabilidade do regime comunista sobre o que aconteceu de brutal no século 20 é tão grave quanto a do regime capitalista. Você defender hoje uma luta que inclua a possibilidade de uso da violência revolucionária, no século 21, que deveria ser o século caracterizado pela cultura da paz, é um peso muito grande.

É isso que diferencia o PV do PSOL?
Eu não me comparo ao PSOL, me comparo aos partidos socialistas e capitalistas. Nós somos a verdadeira terceira via, para usar a palavra da moda. Naquela bancada, tinham vários partidos da família da esquerda. Ali tinha o PSB, o PSOL, o PT, o PSDB. Todos os quatro da mesma grande família socialista. Eu não considero o PSDB de direita, é um partido de centro-esquerda. São uma grande família, se brigam tanto é porque família é assim.

Apesar de ter defendido pautas importantes para a esquerda, o senhor foi questionado pelo movimento feminista por ter criticado a aparência da presidenciável Marina Silva, chamando-a de “magrinha”.
Mas eu não fiz uma crítica, foi um elogio. Olha, eu gosto dela, disse aquilo com o maior carinho possível. Isso vale pra mim também, da próxima vez vou dizer “magrinho igual a mim”.

E se fosse uma candidata “gordinha”, o senhor faria a mesma crítica?
Não, aí eu não falaria isso. Aprendi com as minhas filhas e as amigas delas. Mas hoje, pelo que eu sei, chamar de magrinha é um elogio. Vai dizer que tá errado? Muita gente me diz, “olha, como você é magro?” e eu acho bom. Coitado de mim! As mulheres ficam muito sensíveis.

Sensíveis? Isso não é outro estereótipo que poderia desqualificar as mulheres, também?
Não, não acho, não. A coisa mais chata que tem nos homens é ser insensível. Eu acho lindo as mulheres serem mais sensíveis do que esses homens grossos. Quando a sensibilidade feminina reina, elas são melhores governantas. A mulher é mais afetiva, mais agregadora. O homem é muito dado à violência, à disputa. Na cultura de paz, a mulher dá no homem de quinze a zero.

Após o debate, o senhor disse que o Partido Verde precisava da força dos jovens. No entanto, os principais quadros do PV estão à frente do partido há bastante tempo. O deputado federal José Luiz Penna, por exemplo, preside a sigla desde 1999. Como fica a renovação?
Antes eu queria reforçar que o PV precisa tanto dos jovens quanto dos velhinhos. Mas, o que o PV propõe é uma grande renovação da política de baixo pra cima. Uma inversão do Brasil, que fortaleça os municípios e descentralize a política de Brasília. Se eu quero isso pro Brasil, obviamente que também quero pro PV. O partido tem que ir para os municípios e não ficar só no Diretório Nacional. Eu espero que a minha pregação caia em bom terreno.

O senhor tem investido cada vez mais na campanha virtual. Depois do debate disse que tinha aprendido, finalmente, o que era um meme e ontem lançou um programa com transmissão ao vivo na internet. Que outras estratégias o senhor tem pensado?
Essa é uma campanha relâmpago. O PV defende uma reforma política com financiamento exclusivamente público e eu, voluntariamente, decidi não receber doações de empresas. Então, é uma campanha austera. Nós decidimos investir prioritariamente em entrevistas e debates, para expor nossas propostas.

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