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domingo, 12 de outubro de 2014 Eleições | 08:00

‘Demora no apoio de Marina valoriza decisão’, diz Aloysio Nunes

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Aloysio Nunes (foto: Agência Senado)

Aloysio Nunes (foto: Agência Senado)

Na expectativa de uma decisão favorável da ex-senadora Marina Silva (PSB) sobre um apoio aos tucanos no segundo turno, o senador e candidato a vice-presidente de Aécio Neves, Aloysio Nunes (PSDB-SP), minimiza as exigências apresentadas pela fundadora da Rede Sustentabilidade e diz que, ao contrário de enfraquecê-la, a demora num eventual anúncio de apoio por parte de Marina “valoriza” sua decisão.

“Acho que essa demora até valoriza a decisão, é uma coisa meditada, pensada”, diz o senador, em entrevista ao Poder Online. “Ainda mais levando em conta que ela não tem um partido formalmente organizado, como o PSB, o PPS, o PV. No PSDB é muito simples, a gente reúne a comissão executiva, discute, vota e acabou-se. Foi como fez o PSB. A Rede é outra coisa, ainda não tem essa estrutura formal para tomadas de decisão”, pondera.

Animado com os resultados da última pesquisa Sensus – que indicou uma vantagem de 17,6 pontos de Aécio Neves sobre a presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff -, Nunes admite que nem o PSDB esperava tamanho crescimento, mas comemora: “Pesquisa boa a gente sempre acha ótima, mas ainda tem muito chão até o fim da campanha.” Leia abaixo os principais trechos da conversa:

Senador, está previsto para esta manhã o anúncio oficial sobre o apoio da ex-senadora Marina Silva no segundo turno. Qual é a expectativa da campanha?
No segundo turno, uma candidatura como a do Aécio adquire um contorno muito mais amplo. Não é mais só da coligação, é uma candidatura de todos aqueles que querem a mudança, como é o caso da Marina, que foi nitidamente de oposição durante todo esse processo. É natural que ela venha a acompanhar o Aécio. É claro que eu espero que ela venha conosco, mas respeito os posicionamentos que ela decidir adotar.

Há em parte do PSDB uma sensação de que a demora em anunciar essa adesão enfraqueceria o apoio de Marina à candidatura. O senhor concorda?
De forma alguma. Quem diz isso? Acho que essa demora até valoriza a decisão, é uma coisa meditada, pensada. Ainda mais levando em conta que ela não tem um partido formalmente organizado, como o PSB, o PPS, o PV. É mais fácil quando um partido tem uma executiva para se orientar, então é natural que a Marina demore mais para ampliar as consultas. No PSDB é muito simples, a gente reúne a comissão executiva, discute, vota e acabou-se. Foi como fez o PSB. A Rede é outra coisa, ainda não tem essa estrutura formal para tomadas de decisão.

A avaliação que se tem é de que as exigências apresentadas por Marina expuseram as contradições entre ela e Aécio, o que poderia dificultar uma maior transferência de votos.
Mas aí foi um mal-entendido. O Pedro Ivo publicou aquela espécie de decálogo, listando que era fundamental isso, fundamental aquilo. Mas ele estava expondo a visão do núcleo da Rede, não queria dizer que eram condições para que Marina viesse a nos apoiar. Só que quando você tem forças políticas distintas é normal essa interpretação. Mas eu não entendi aquilo como um ultimato. Não houve essa negociação ponto por ponto não.

Ontem, Aécio anunciou que estava disposto a ceder em alguns pontos, mas não abriu mão do posicionamento favorável à redução da maioridade penal, criticado por Marina. 
Quem exprime com mais propriedade esse processo é o Walter Feldman (porta-voz da Rede Sustentabilidade). Ele fez uma declaração ontem, onde disse que são duas correntes políticas que estão buscando o ponto em comum – e não exarcebar as diferenças. O fundamental é o seguinte: a Marina, assim como seus amigos políticos, querem a mudança. Queremos tirar o PT do governo, para avançar. Para aperfeiçoar o processo de inclusão social, o combate à corrupção. A redução da maioridade penal é uma diferença. Nós somos a favor para crimes hediondos, mas há uma convergência muito grande no sentido de implantar o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). Uma necessidade comum de ampliarmos efetivamente toda a legislação sobre juventude, que é avançada, generosa e que não é aplicada, é letra morta.

A pesquisa Sensus divulgada neste fim de semana indicou uma vantagem de 17 pontos de Aécio sobre Dilma, no segundo turno. Como a campanha recebeu essa notícia?
Pesquisa boa a gente sempre acha ótima, mas ainda tem muito chão até o fim da campanha. Mas a campanha está cada vez mais animada, é mais do que uma campanha: é um movimento com muito entusiasmo, muita alegria. Independentemente do resultado dessa pesquisa, há uma sensação de alegria nas pessoas que nos acompanham e que estão participando.

Esse resultado já era previsto internamente?
Não, de forma alguma.

Nesta reta final, qual será a estratégia da campanha? Haverá algum foco específico no nordeste, para reverter a associação que foi feita entre os eleitores do PSDB e os ataques a nordestinos?
Isso é uma conversa fiada, não vamos cair jamais nessa conversa. Não teve nenhuma repercussão essa história, a única repercussão que eu estou vendo é você me fazer essa pergunta. O que o PT está fazendo na internet é uma barbaridade. É inacreditável o que milhares de militantes pagos vêm fazendo. Eu já nem vejo mais essas coisas, dado o caráter grotesco. Não tem credibilidade nenhuma. A Dilma é uma candidata que só tem uma novidade, que é a cor do vestido. Antes era azul, agora é vermelho. Mas, como dizia minha avó, perde o pelo, mas não perde os vícios. Nós vamos nos afastar dessa atitude, não vamos nos misturar.

Qual o impacto de apoio como o da família do ex-governador Eduardo Campos, anunciado ontem, para o crescimento de Aécio num estado como Pernambuco, onde Marina venceu as eleições.
É um apoio é um apoio muito positivo, ainda mais considerando que o desempenho do Aécio foi coisa de 6% em Pernambuco, porque todo o campo da oposição estava com Marina. Então isso muda bastante o cenário. Acho muito difícil esse voto que foi pra marina, no Nordeste, ir para Dilma.

E com relação ao eleitorado em geral, existe algum segmento no qual a campanha ainda pretende crescer nestas últimas semanas?
É muito difícil uma campanha presidencial ter uma mensagem segmentada. Nossa mensagem é uma mensagem geral, do vento da mudança, que sopra aqui e sopra acolá.

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