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domingo, 16 de novembro de 2014 Congresso | 08:00

‘O povo que estava em silêncio gritou nas urnas’, diz Marco Feliciano

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Agora com seu mandato revalidado nas urnas, o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) diz que a eleição mostrou que a população o apoiou na maneira como comandou a Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Feliciano diz se orgulhar de ter tido o menor gasto por voto em seu estado e vê com bons olhos o fato de o Congresso ter saído das urnas com uma bancada mais conservadora. “O povo que estava em silêncio gritou nas urnas’, diz o deputado.

Sobre as propostas que a bancada evangélica pode retomar na próxima legislatura, como o projeto da cura gay, ele evita aprofundar demais a polêmica. Diz que acha importante “discutir” o assunto. Sobre a criminalização da homofobia, cuja articulação será retomada pelo PT, com endosso da presidente Dilma Rousseff, ele insiste que não vê motivo para uma norma específica para esses casos. Diz que a lei atual é suficiente para punir o mesmo tipo de violência contra qualquer pessoa. Veja os principais trechos da conversa de Feliciano com o Poder Online:

Que avaliação o senhor faz do resultado da eleição deste ano?
Acho que ficou claro que nós conseguimos colocar a família de volta na casa dos brasileiros. Aliás, o que eu pude perceber é também que o meu voto foi o mais barato de São Paulo. Foram R$ 0,37 por voto. O povo que estava em silêncio gritou nas urna. Mostrou que tudo aquilo que eu defendo tem respaldo. O fato é que no ano passado eu passei um período difícil sozinho. O povo agora me apoiou. 

Marco Feliciano (Foto: Alan Sampaio/iG Brasília)

Marco Feliciano (Foto: Alan Sampaio/iG Brasília)

Agora nesta nova legislatura, o senhor vai defender a volta do projeto da cura gay?
Primeiro, não é cura gay. Existem pessoas que de fato querem isso e, por esse motivo, é um projeto pertinente. Se existe uma orientação, é razoável dizer que pode haver uma reorientação. Vemos muitos adolescentes que em algum momento se voltaram para esse caminho e que voltaram. 

A bancada, na próxima legislatura, será mais conservadora. O que o senhor achou desse resultado? 
De fato. Nós, evangélicos, teremos 84 cadeiras. Foi uma conquista. Sem contar que foi muito positivo perceber que, com certeza, todos eles usaram a minha bandeira para chegar aqui. É um reflexo do que a sociedade quer.

O PT e a presidente Dilma Rousseff falam em resgatar a articulação do projeto que criminaliza a homofobia. Qual é o plano, nesse caso? 
Olha, eu sou a favor de discutir o assunto. Eu sou contra qualquer tipo de crime. Mas, na minha opinião, a legislação atual já atende a isso. Afinal, a lei hoje pune a violência contra qualquer pessoa. Não vejo motivo para uma legislação específica. Na verdade, eu até vejo com bons olhos algumas ideias, embora não sejam projetos que eu pretenda apresentar. Por exemplo, porque um deputado que represente essa comunidade não apresenta uma proposta para incluir travestis e transsexuais no mercado de trabalho? Dar um benefício fiscal a quem contratar essas pessoas. Aí eu vejo um motivo para uma lei.

Mas o senhor seria a favor? 
Olha, eu acho que é um assunto a se discutir, embora não seja uma proposta que eu vá apresentar. Mas o que eu sou contra, aí sim, é a se criar uma lei que penaliza as pessoas e que, na minha opinião, pode criar injustiças. Acho que a linha que separa a opinião do preconceito é muito tênue. Temos que estabelecer esse limite.

 

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