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domingo, 14 de dezembro de 2014 Eleições | 08:00

‘Fazer denúncia é fácil. É preciso provar’, diz Edinho Silva

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Encarregado de comandar as finanças da campanha da presidente Dilma Rousseff, o petista Edinho Silva diz assegurar a lisura das contas eleitorais  e diz que houve um “sentimento de injustiça” diante do parecer de técnicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que recomendou a reprovação do balanço. Depois de reverter essa posição no pleno da Corte, ele reforça a defesa do PT pelo financiamento público de campanha e diz que o Brasil precisa endurecer as penas para crimes relacionados ao financiamento de campanha.

O petista rebate, por outro lado, as notícias sobre o suposto envolvimento do PT no esquema desmantelado pela Operação Lava Jato na Petrobras, que também toma por base o fluxo de dinheiro desviado por meio de doações eleitorais.

“É preciso ver se as denúncias têm fundamento. Nós só vamos saber quando todas as informações vierem à tona. Fazer denúncia é fácil. Mas é preciso provar”, afirma o tesoureiro. “Estamos incorrendo num erro gravíssimo no Brasil, em que denúncias são feitas, não são comprovadas, mas a honra e a historia de vida das pessoas são destruídas.”

O tesoureiro do PT, Edinho Silva (Foto: PT-SP)

O tesoureiro da campanha presidencial de Dilma, Edinho Silva (Foto: PT-SP)

O parecer técnico do TSE que pedia a reprovação das contas da presidente Dilma pegou o PT de surpresa, embora as contas tenham sido aprovadas no final. Como o senhor avalia esse episódio?
Primeiro, fiquei surpreso com parecer da área técnica. Eu, como coordenador financeiro, sei de todos os cuidados que tivemos, as orientações que a presidenta deu e que nós seguimos rigorosamente. Desde o início, a ordem era rejeitar doações que gerassem qualquer tipo de dúvida e ter cuidado absoluto nos registros de despesas. A própria campanha criou controladoria interna para que isso fosse assegurado. Tomamos cuidados ao extremo para que a presidente não corresse nenhum risco. Portanto, claro que um parecer pela rejeição das contas causou surpresa e causou indignação. Tenho certeza da lisura das contas da campanha. Confesso que houve um certo sentimento de injustiça. Afinal, tivemos que convocar uma entrevista coletiva para rebater a área técnica do TSE. Foi uma injustiça.

Mas é sabido que o caixa dois no Brasil ainda existe. O senhor acredita que esse entendimento é errado também?
Eu asseguro que a campanha da presidente ficou longe de qualquer coisa que possa se assemelhar a caixa dois. Fugimos não só dessas doações, como de todos os diálogos que pudessem caminhar para isso. A campanha não correu o risco sequer de dialogar com quem fizesse esse tipo de proposta. Não aceitaremos questionamentos éticos e morais numa campanha que foi conduzida na legalidade e com critérios que refletem a postura da presidente Dilma.

Inicialmente, a estratégia da equipe jurídica era buscar irregularidades também na campanha do Aécio. Depois, passou a ser defender a campanha da presidente. O que motivou essa mudança na hora do julgamento no TSE?
Apontar irregularidades na campanha do senador Aécio nunca foi a estratégia da nossa equipe jurídica. O que nós verificávamos é que, quando fomos esclarecer questões nas diligências, nossos técnicos contábeis e jurídicos acabavam verificando também questões semelhantes ou até mais graves nas contas do Aécio. Mas é natural que, ao buscar uma estratégia de defesa, uma campanha vai buscar saber como outras campanhas se comparam. Mas trata-se de construir um argumento.

Mas o senhor avalia que o TSE foi injusto, foi mais duro com a Dilma do que será com Aécio?
As contas do senador Aécio ainda não estão sendo julgadas. A lei prevê que o eleito é o primeiro a ter suas contas analisadas.

Já que a equipe de vocês identificou problemas mais graves, como o senhor disse, então o senhor espera um parecer semelhante da área técnica?
O que eu espero é que o TSE siga parâmetros legais e jurisprudências na análise de todas as contas de campanha. Não só a nossa, mas a do Aécio, da Marina Silva, do Levy Fidelix, e assim por diante. Não esperamos nenhum tratamento especial para um lado ou para o outro. Só esperamos que o tribunal siga critérios legais e estamos certos de que é isso o que vai ocorrer.

Houve gente no seu partido que se queixou da escolha do ministro Gilmar Mendes como relator. O que o senhor achou? 
Não foi a minha postura. Em momento algum eu coloquei em questão a história do ministro Gilmar Mendes. Sempre disse que confiava no currículo, na história jurídica e na isenção do ministro Gilmar Mendes. Assim como sempre confiei no pleno do TSE.

O PT diz que a única forma de coibir de fato as irregularidades nas contas de campanha é o financiamento público exclusivo. O senhor acredita que essa mudança é viável?
Aqui está a palavra de um ex-tesoureiro. É impossível sustentarmos o modelo eleitoral brasileiro. Ou nós mudamos urgentemente, mudamos urgentemente a forma de financiamento de campanhas do Brasil, ou ficaremos o tempo todo enxugando gelo. Se não mudarmos o modelo, seguiremos tendo casos de relações que não são republicanas. A democracia como um todo precisa ser fortalecida.

Mas o caixa dois, na sua opinião, continua existindo no Brasil?
Só tem uma forma de coibir a doação ilegal: aumentar a penalidade. Além do financiamento público, acho que temos que ter uma pena duríssima para tudo aquilo que estiver fora do que está estabelecido na nossa lei.

Mas o caso Petrobras não mostra que o seu próprio partido ainda se vê envolvido em denúncias com irregularidades em doações eleitorais?
Em primeiro lugar, é preciso ver se as denúncias têm fundamento. Nós só vamos saber quando todas as informações vierem à tona. Fazer denúncia é fácil. Não podemos incorrer numa prática no Brasil de que o ônus da prova seja do denunciado. Tem que ser do denunciante. Senão, qualquer ilação coloca sobre o acusado a tarefa de provar que é inocente. Estamos incorrendo num erro gravíssimo no Brasil, em que denúncias são feitas, não são comprovadas, mas a honra e a historia de vida das pessoas são destruídas.

O senhor fala de petistas envolvidos no mensalão?
Falo no geral, não só na política. Isso virou prática em todas as áreas, destrói-se a vida das pessoas e, ao longo das investigações, é comum as coisas não se comprovarem. Quem denuncia tem a obrigação de fornecer a prova.

O senhor é cotado para integrar o ministério da presidente no novo governo. As conversas estão avançando?
Eu confesso que a maior honra da minha militância política foi assumir a coordenação financeira da campanha. Quem conhece a presidenta Dilma sabe que ela é rigorosa. E eu fui o dirigente da campanha que teve uma procuração para representá-la em todo o processo. Isso, para mim, não é pouco. É um imenso reconhecimento. Não fiz isso para obter cargo ou para obter salário. Se quisesse isso, eu teria disputado como deputado federal e certamente teria todas as condições de me eleger. Acredito no projeto que ela representa e que dá continuidade ao do presidente Lula. Se eu tiver a oportunidade de ser convidado por ela para integrar o governo, em algo que possa de fato representar uma colaboração minha na implantação desse político, vou ficar extremamente honrado. Mas entendo que a prioridade da presidente é formar maioria no Congresso para que ela possa ter condições de governabilidade. Minha relação é de militante e vai continuar sendo.

 

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