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domingo, 21 de dezembro de 2014 Congresso | 06:00

‘Só uma mulher mal-intencionada se sentiu ofendida’, diz Eduardo Bolsonaro sobre Maria do Rosário

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Enquanto prepara as malas para assumir uma cadeira na Câmara, o deputado eleito Eduardo Bolsonaro (PSC-SP), filho de Jair Bolsonaro (PP-RJ), diz não sentir nenhum tipo de constrangimento diante da repercussão provocada pelas discussões e declarações feitas por seu pai. Prometendo andar sempre armado e defender propostas como a redução da maioridade penal, ele diz que a deputada Maria do Rosário (PT-RS) foi a única a se sentir ofendida com o fato de Bolsonaro pai ter dito que não estupraria, porque ela “não merece”.

“Me desculpa te interromper aqui, mas só uma mulher muito mal-intencionada se sentiu ofendida”, diz ele. Nesta entrevista ao Poder Online, Eduardo Bolsonaro ainda afirma que a petista tenta se vitimizar com o episódio. Atitude, aliás, que ele considera a “arte da esquerda”.

Confira os principais trechos da entrevista:

O senhor chega em Brasília em meio a mais uma polêmica envolvendo seu pai. Como o senhor enxerga toda essa situação?
Na verdade, o meu pai é polêmico porque ele tem independência, imunidade parlamentar para falar e não tem rabo preso. Isso incomoda muita gente. Mas, com certeza, você não vai ver o nome dele metido em corrupção – nem ninguém da família Bolsonaro. No caso da Maria do Rosário, ela inicialmente o chamou de estuprador e o meu pai teve uma reação. Foi uma ação-reação. A Maria do Rosário não é vítima. Ela que começou, entrando na entrevista do deputado Bolsonaro para a Rede TV, sobre o caso Champinha (leia mais). E, de quebra, ainda é contra a redução da maioridade penal. Só que ela não dá o exemplo, se desse, empregaria em seu gabinete o Champinha ou algum marginal desse tipo.

Independentemente desse conflito com a Maria do Rosário em 2003, não lhe causa nenhum constrangimento declarações feitas pelo seu pai como “não merece ser estuprada porque é muito feia”?
Olha, a Maria do Rosário chamou meu pai de estuprador. Se meu pai fosse se vitimizar hoje que nem ela, ele diria que não consegue nem dormir à noite, pelo xingamento. Isso daí é a arte da esquerda: eles se vitimizam para tentar a comoção. Mas, na verdade, não foi isso que ocorreu. Qualquer pessoa que tiver o mínimo de discernimento e souber interpretar um texto, conseguirá ver pelas imagens que meu pai tem razão.

O deputado federal eleito Eduardo Bolsonaro (PSC-SP). (Foto: Reprodução)

O deputado federal eleito Eduardo Bolsonaro (PSC-SP). (Foto: Reprodução)

Então, na sua opinião, não teve nenhum exagero ou deslize naquelas declarações? Muitas mulheres, para além do PT, se sentiram agredidas…
Me desculpa te interromper aqui, mas só uma mulher muito mal-intencionada se sentiu ofendida. Eu estou aqui com uma mulher do meu lado, a Débora Albuquerque, e ela disse que não tem constrangimento algum. Inclusive, muitas mulheres elogiam meu pai. Se você perguntar sobre ele na padaria, na fila do aeroporto, você vai conseguir ver isso. Na verdade, quem tinha que ter remorso é a Maria do Rosário. Meu pai não podia levar pra casa uma bronca dessas. Ser chamado de estuprador e ir pra casa, dar boa noite pra todo mundo e ir dormir como se nada tivesse acontecido. Eu tenho irmã. Como que fica essa história? Alguém da imprensa já foi perguntar pra Maria do Rosário porque que ela chamou meu pai de estuprador? Porque ela vai ter que provar.

E na sua família, o que acharam dessas declarações? Não teve nenhuma polêmica?
Minha família sempre me dá apoio. E, na verdade, não tem polêmica. Isso foi criado para afastar o foco do Petrolão e das demais investigações que passem no alto escalão do governo do PT. A Maria do Rosário vai se vitimizar como sempre se vitimizou, acredito que ela deveria estar mais preocupada com o caso da Engevix, que é uma empresa ligada ao Petrolão e que financiou a campanha dela.

Aquela declaração em que seu pai chama a Maria do Rosário de “muito feia” também não criou nenhuma polêmica, na sua casa?
Não, não. A gente não tem a obrigação de elogiar todas as pessoas. Eu, por exemplo, quando encontro com meus amigos eles me chamam de careca. Iam me chamar de cabeludo? São adjetivos que, se ela tivesse conhecimento do dicionário, ela veria que ela se enquadra.

Nisso eu vou ter que discordar um pouco do senhor.
Desculpe te interromper, de novo, mas é pior ela chamar alguém de estuprador – que é um crime abominável – do que as palavras do meu pai de que ela não merece ser estuprada. Aliás, se eu falasse isso para minha mãe, ela iria falar: “Deus te abençoe, meu filho.” Agora, se eu falar para minha mãe que ela merece ser estuprada, aí…

Mas se você falasse para ela “eu não te estupro porque você é feia”, não seria diferente?
Mas meu pai não falou isso.

Em uma entrevista recente para o jornal Zero Hora, ele diz que “ela não merece ser estuprada porque é muito feia”.
Ah, é a opinião dele também.

Sim, mas nesse caso sua mãe não responderia com um “Deus te abençoe”, não é?
A minha mãe se dá o respeito, né. Ela não fica andando em más companhias. A (senadora) Gleisi Hoffmann tinha um pedófilo em seu gabinete. Quem anda com porco, come farelo.

Sobre seu mandato, o senhor tem dito que seu foco será a segurança pública. O que o senhor planeja?
As duas principais bandeiras que nós temos são a redução da maioridade penal e a revogação do Estatuto do Desarmamento, que só desarmou o cidadão de bem. Aquele que quer cometer o crime continua comprando armas nas favelas. Com qualquer R$ 500 você compra um “três oitão” e consegue facilmente entrar numa casa, porque agora o vagabundo tem certeza de que naquela casa não tem armas. Então, com uma 38, ele deita e rola. Se pelo menos pairasse uma dúvida na cabeça dele de que ali dentro teria uma arma, pode ter certeza de que ele não iria assaltar. Na questão da redução da maioridade penal, nós precisamos encarcerar esses menores que pintam e bordam exatamente se acobertando da lei. Não tem como um menino de 17 anos cometer um estupro ou um assassinato e dizer que não sabe o que está fazendo, pelo amor de Deus.

Esses dois temas já tramitam no Congresso.  O senhor pretende apresentar algum projeto inédito de sua autoria?
Tem sim, eu só não falo pra você, porque alguém pode querer copiar. Tem um que é a menina dos meus olhos, mas em fevereiro, quando começar a legislatura, eu conto. Mas tem uma série de propostas sobre questões relevantes e não só sobre esse tema não. Tem coisa sobre o Supremo Tribunal Federal, separação de poderes…

Sobre essas outras áreas, o senhor pretende dedicar atenção às atividades da bancada evangélica, por exemplo?
Nós temos diversas bandeiras em comum. No ano passado, por exemplo, meu pai teve a oportunidade de conhecer o pastor Marco Feliciano (PSC-SP) e atuar com ele na Comissão de Direitos Humanos para barrar a ida do kit gay para as escolas. Foram muito bem-sucedidos e conseguiram derrubar o esquema do governo. No meu caso, com certeza, em tudo que tiver a ver com os valores cristãos e com a família eu serei um soldado. Minha criação foi batista, sou evangélico, e meu pai é católico. O que importa é que somos cristãos e temos os mesmos valores que a maioria da população brasileira.

Falando em soldado, o senhor também protagonizou uma polêmica recentemente, ao ir armado para uma manifestação. A justificativa era de que policiais, mesmo fora do exercício, costumam andar armados. Como deputado, o senhor pretende fazer uso do porte de arma a que tem direito?
Eu pretendo continuar andando armado.

O senhor acha que isso pode gerar algum ruído com seus colegas no Congresso?
Um ruído no Congresso? Não, não vejo dessa forma não. Diversos parlamentares têm o porte de armas já. O que eu não posso é entrar armado dentro do Congresso, porque o regimento interno não precisa. Mas ali é uma área segura, a gente tem que elogiar: a Polícia Legislativa faz um bom trabalho.

Como está a preparação para o seu futuro gabinete. O senhor já definiu quem serão os assessores? Havia também uma ideia de se montar um gabinete conjunto com o seu pai, como ficou isso?
O gabinete depende do sorteio da Câmara. Se eu tiver a oportunidade de estar ao lado ou perto do gabinete do meu pai, aí a gente pode falar com os funcionários da Câmara para abrir as portas e fazer um gabinete conjunto. Sobre a assessoria, por enquanto a gente está começando a ventilar alguns nomes, mas ainda não tem nada certo. Agora, pode ter certeza de que vão ter policiais, militares, gente de bem, sociedade civil, pessoas que me ajudaram na campanha.

O senhor tem dito que se considera mesmo um conservador e que acha positivo o crescimento do conservadorismo no Congresso Nacional. Nas últimas semanas, vimos vários manifestantes também identificados com essa ideologia protestando com aqueles gritos de “vai pra Cuba”. Com o fim do embargo dos Estados Unidos, como fica essa história?
Isso aí quebra um pouquinho dos nossos argumentos e deixa a direita um pouco perplexa, né? Risos. Eu quero ver quando tiver um McDonalds em Cuba, o que os comunistas vão falar. Mas acho que foi um primeiro passo. É uma questão entre Estados Unidos e Cuba e acho que os Estados Unidos é que têm de decidir. Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos, que ainda não está muito clara essa aproximação.

E qual é a sua perspectiva para a próxima legislatura, com o crescimento desse conservadorismo?
Não há como negar que o Congresso ficou mais conservador. Porém, se nós fomos pensar na bancada evangélica ela está longe da representação do percentual de evangélicos na sociedade brasileira. Os evangélicos são cerca de 20% do eleitorado brasileiro, mas os parlamentares da bancada não chegam a esse percentual na Casa. Agora, com certeza, com essa guinada conservadora nós temos a esperança de avançar em pautas essenciais.

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