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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015 Governo | 11:14

Com saída de Graça, governo vê Dilma mais exposta às denúncias da Lava Jato

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Afora que foi formalizada a saída de Graça Foster do comando da Petrobras, o governo vê a necessidade de proteger a presidente Dilma Rousseff de uma exposição maior às denúncias da Operação Lava Jato. Embora a saída de Graça tenha sido defendida durante meses por integrantes do governo e mesmo pelo ex-presidente Lula, interlocutores da presidente concordavam que sua permanência servia como uma espécie de “escudo”, impedindo que a responsabilidade pelas ingerências na empresa recaíssem sobre Dilma. Ou seja, a troca de direção atende à demanda do mercado e ajuda a conter a deterioração das ações da estatal, mas deixa Dilma mais vulnerável do ponto de vista político.

Leia mais: No entorno de Dilma, cresce a pressão pela saída de Graça Foster da Petrobras

A presidente Dilma Rousseff. (Foto: Alan Sampaio / iG Brasília)

A presidente Dilma Rousseff. (Foto: Alan Sampaio / iG Brasília)

Dilma desde o início foi contra a substituição de Graça, num gesto entendido por alguns de seus ministros como um reconhecimento da “lealdade” de Graça. Mas um argumento que sempre pesou a favor da permanência da executiva no comando da estatal era o de que ela já havia “apanhado o que tinha que apanhar” e que o melhor era deixar que as pancadas continuassem  recaindo sobre ela. Se assim fosse, o desgaste político seria menor para o governo como um todo e, principalmente, para Dilma.

A receita só valeria até certo ponto, já que havia pressão crescente no mercado pela substituição da executiva. Na avaliação de um ministro, a substituição de Graça pode até ter demorado do ponto de vista da confiança do mercado, mas foi feita na hora certa no que diz respeito à exposição de Dilma diante da crise. A executiva sai no momento em que deixa de conseguir filtrar ao menos parte do efeito político negativo provocado pela corrupção na estatal.

Veja também: Se Graça fica, é para minimizar ‘pancadaria’

Diante do novo cenário, uma preocupação do governo é manter o PT sob controle e ter o partido empenhado no apoio à presidente. O Planalto já vem agindo para conter a insatisfação dentro da legenda, por meio, em parte, da indicação de seus integrantes para postos estratégicos. Se o plano der certo, o partido pode usar sua próxima reunião do diretório nacional para aprovar resoluções de apoio ao governo e à reação do Planalto à crise na Petrobras. O encontro está marcado para ocorrer na próxima sexta-feira, em Belo Horizonte.

 

 

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