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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015 Governo | 06:00

Defendida por Dilma até o fim, Graça diz não desejar a ninguém o que passou

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Poucos dias antes da posse da presidente Dilma Rousseff, na virada do ano, a presidente da Petrobras, Graça Foster, comentou numa conversa informal com um ministro como se sentia diante do agravamento da crise de corrupção que assolava a estatal. Entre um relato e outro, desabafou: “Olha, eu não desejo para ninguém o que estou passando hoje”. A presidente da petrolífera, conta o aliado, já nem disfarçava o grau de cansaço e estresse em que se encontrava.

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Dilma e Graça (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)

Dilma e Graça (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)

Graça, segundo o colega, já vinha deixando claro havia várias semanas que concordava com a tese de que o melhor talvez fosse substituir toda a direção da empresa, para amenizar o impacto das sucessivas denúncias sobre os ativos da companhia. Ela fazia coro a ninguém menos que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que defendia a mudança desde o fim do ano passado.

Naquele momento, nomes como chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, também pregavam a substituição da executiva e dos principais diretores da empresa, num gesto para tentar amenizar a perda de credibilidade da companhia junto a investidores. A Mercadante, é atribuída, por exemplo, a sugestão de indicar um político forte para o cargo. Falou-se no nome de Jaques Wagner. Mas o ex-governador da Bahia fez rapidamente chegar ao Planalto que preferia, sem dúvida, ocupar uma pasta na Esplanada. Acabou no Ministério da Defesa.

Dilma, na época, assumiu a defesa pública da amiga e da direção da estatal. Enquanto isso, as conversas sobre a possibilidade de uma troca de comando na Petrobras eram intensas. Segundo líderes do PT, a dificuldade de encontrar um substituto contribuiu para dar sobrevida a Graça. Somada a isso, é claro, a insistência da própria presidente em manter a presidente da estatal no cargo.

Entre os argumentos que ajudaram a embasar a permanência de Graça, dois se destacam. Primeiro, a presidente dizia aos auxiliares que Graça é honesta e correta. Portanto, não poderia ser punida publicamente com a demissão. Dilma, segundo um aliado com bom trânsito no Planalto, sempre deixou claro que fazia questão de recompensar a “lealdade” de Graça Foster e que não “jogaria a amiga na fogueira” num momento de dificuldade.

O outro argumento que acabou pesando na decisão foi o de que Graça servia, naquele momento, como uma espécie de escudo para a própria Dilma. Em uma das conversas mantidas sobre o assunto no fim do ano passado, ministros avaliaram que a presidente da estatal já havia “apanhado o que tinha que apanhar”. E que qualquer tipo de envolvimento da executiva com irregularidades já teria aparecido, se de fato existisse.  Portanto, o melhor era deixa-la sangrar até o fim.

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