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quarta-feira, 4 de março de 2015 Política | 01:08

Expectativa sobre lista da Lava Jato dá esperança à oposição e eleva tensão na base

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A notícia de que 54 políticos estão na lista de nomes que serão investigados por conta das denúncias da Operação Lava Jato alimentou as esperanças de alguns setores da oposição e elevou a tensão na base aliada. Em meio à expectativa para a divulgação dos nomes assim que sair o aval do ministro Teori Zavascki, o tucanato apostava na noite desta terça-feira que um número reduzido de oposicionistas seriam confirmados na relação, permitindo que se mantenha o discurso crítico em relação ao governo.

Clima no Congresso é de apreensão (Foto: Mel Bleil Gallo / iG Brasília)

Clima no Congresso é de apreensão (Foto: Mel Bleil Gallo / iG Brasília)

A oposição considera fundamental a capacidade de manter a bandeira ética nos ataques ao governo da presidente Dilma Rousseff. O primeiro sinal de alento visto pelos adversários do governo foi a confirmação de que os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), serão alvos de inquéritos pedidos pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.  Se tudo correr como previsto, o plano é investir na tese de que os casos na oposição são pontuais. No próprio governo, a avaliação era, nesta terça-feira, de que dois tucanos tendem a ser confirmados na relação: o ex-presidente do PSDB, Sérgio Guerra, já falecido, e o senador Alvaro Dias (PR).

Mesmo cientes de que os partidos da base – em especial PT, PP e PMDB – tendem a se destacar na lista, líderes governistas dizem ver a chance de aliviar o clima de apreensão que tomou conta do Congresso. O motivo principal estaria no fato de o assunto permanecer na esfera da investigação, já que Janot optou por não pedir a abertura de ação penal contra os envolvidos. Se tudo corre no campo das suspeitas, explica um líder governista, haveria chances de as denúncias esfriarem progressivamente no médio prazo.

No entanto, o governo também entende que a divulgação da lista tende a acirrrar ainda mais o clima na base, agravado com os recados dados pelo senador Renan Calheiros ao Planalto – primeiro com a recusa do convite para o jantar com a presidente Dilma Rousseff, depois com a devolução da MP sobre a desoneração da folha.

Ainda assim, para o governo, quanto mais gente na lista, melhor. Isso ajudará a diluir o desgaste e poderia pavimentar um discurso de que a culpa, no fim das contas, é em boa parte do sistema político.

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