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sábado, 7 de março de 2015 Política | 05:00

Investigação na Lava Jato eleva pressão por saída de Vaccari da tesouraria do PT

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A inclusão do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, na lista de investigados por suposto envolvimento em desvios na Petrobras elevou imediatamente as pressões para que ele se afaste do cargo que ocupa no comando partidário. Desde o início das denúncias, a cúpula petista resistiu em afastar Vaccari e avisou que qualquer mudança na decisão de apoiar o dirigente dependeria da comprovação explícita de seu envolvimento no esquema.

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João Vaccari (Foto: Agência Brasil)

João Vaccari (Foto: Agência Brasil)

Mas, minutos depois da divulgação da lista de investigados na Lava Jato, na noite de ontem, colegas de partido de Vaccari já admitiam nos bastidores que a inclusão na relação configura um “fato novo”, suficiente para justificar sua saída da Secretaria de Finanças. O ideal, explica um integrante da legenda, seria convencer o tesoureiro a pedir “espontaneamente” seu afastamento, sob o argumento de que assim estaria livre para se defender das acusações.

As pressões pela saída de Vaccari não são novidade. Começaram a surgir desde que seu nome apareceu com mais frequência nos depoimentos de envolvidos nos desvios da Petrobras, dentro dos acordos de delação premiada firmados com o Ministério Público e com a Polícia Federal. Até agora, entretanto, o comando petista argumentava, nas reuniões internas, que o afastamento de Vaccari soaria como uma confissão de culpa.

Mas o partido admite já faz algum tempo que o “constrangimento” é grande e que um agravamento da situação de Vaccari também prejudicaria a presidente Dilma Rousseff e o governo. A isso, se soma o fato de o tesoureiro ter ganhado o noticiário novamente nos últimos dias, com a informação de que foram identificados depósitos na conta de sua mulher, supostamente referentes ao pagamento de propina. A informação foi veiculada pelo jornal Folha de S. Paulo.

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Muita gente no partido se ressente de Vaccari pela maneira como ele próprio se comporta diante das denúncias. Houve queixas de sobra ao fato de ele ter comparecido à festa de aniversário do partido, no mês passado, da qual participaram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente Dilma Rousseff.

Mas os petistas reconhecem que há pelo menos um obstáculo de ordem prática à saída de Vaccari. A tendência é que o partido tenha dificuldade para encontrar um substituto. O mesmo cargo já foi ocupado por ninguém menos do que Delúbio Soares, condenado pelo envolvimento no esquema do mensalão.

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