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domingo, 8 de março de 2015 Política | 13:00

Alvo da Lava Jato, ex-líder do governo dispara contra Dilma: ‘Não tem projeto e a articulação é uma tragédia’

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O ex-deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), que há um bom tempo vem se desentendendo com seu partido  e aparece na lista de investigados na Operação Lava Jato, decidiu encampar as críticas à presidente Dilma Rousseff. Ao Poder Online, Vaccarezza, que foi líder do governo na Câmara no primeiro mandato de Dilma, disse que a presidente “não tem consistência” e que sua articulação política é uma “tragédia”.

“Este governo que está sendo conduzido pela presidente Dilma Rousseff por nunca ter tido um projeto claro para o país. É um governo que não tem consistência. Cuja articulação política é uma tragédia”, disse Vaccarezza, que se empenha em negar as suspeitas de envolvimento em desvios da Petrobras, que justificaram a inclusão de seu nome nas investigações da Lava Jato. 

O ex-deputado, que não conseguiu se reeleger, chegou a conversar nos bastidores uma possível troca de legenda. Ele nega que tenha planos de deixar o PT, acompanhando a ex-ministra Marta Suplicy. Disse que vai brigar dentro do partido para que o rumo do governo seja discutido. Mas não deixou de disparar também contra o colega e prefeito paulistano, Fernando Haddad, que deve ter Marta como adversária pelo PSB na eleição de 2016. “Marta é a melhor prefeita que São Paulo teve nos últimos anos. Ela é muito melhor, inclusive, que o Haddad”, disse.

Sobre seu envolvimento na Lava Jato, ele se queixa da cobertura da imprensa e diz que não há indícios que justifiquem sua inclusão na lista de investigados. Confira os principais trechos da entrevista:

Cândido Vaccarezza

Cândido Vaccarezza

 

 A ex-ministra Marta Suplicy aparentemente acertou tudo com o PSB. Diziam que o senhor iria com ela. Vai mesmo?
Este governo que está sendo conduzido pela presidente Dilma Rousseff peca por nunca ter tido um projeto claro para o país. É um governo que não tem consistência. Cuja articulação política é uma tragédia. Não tem projeto concreto em áreas essenciais. É só olhar a política energética. A política de juros. O problema desse governo é que não tem planejamento. Não tem lado. Olha só a inflação. A inflação, no Brasil, não é uma inflação de demanda. É uma crise da produtividade, que é baixa demais, combinada a uma burocracia sem tamanho.

Mas o que o senhor defende que seja feito?
Nessa questão, por exemplo, porque é que o governo não negocia com sua própria base? Se o governo permitisse a negociação de sindicatos patronais com os sindicatos dos trabalhadores, poderiam ser feitos vários acordos que reduziriam a burocracia e melhorariam a produção. Precisamos de um governo que inicie a reforma tributária para, daqui a dez anos, termos um sistema de fato mais eficiente. E não fazer essa desoneração desgovernada que ela (Dilma) faz, para estourar lá na frente. Se as medidas certas fossem tomadas, seria possível arrecadar muito mais.

Mas o senhor vai sair do PT?
Eu tenho divergências claras com esse governo. Mas eu quero discuti-las dentro do PT. O problema é que o PT não está aberto para a discussão, isso está ficando cada vez mais claro. Eu não nasci no PT e não tenho que morrer no PT, mas eu quer discutir essa situação dentro do meu partido.

O senhor apoia a decisão da Marta?
A Marta foi a melhor prefeita que São Paulo teve nos últimos anos. Ela é muito melhor, inclusive, que o Fernando Haddad. A Marta fez CEUs na cidade inteira. Conseguiu fazer as coisas andarem depois de herdar uma cidade totalmente endividada. Onde não tinha de onde tirar dinheiro, ela deu um jeito de ter investimento. O (Gilberto) Kassab fez uns cinco CEUs na gestão dele, em seguida. E o Haddad só fez um até agora, que já estava praticamente pronto.

O senhor fala em brigar dentro do PT, mas como fica seu envolvimento na lista da Lava Jato?
A cobertura da imprensa em relação ao meu caso é desonesta. Tudo o que o Paulo Roberto Costa disse que tenha referência ao meu nome em momento algum justifica a inclusão do meu nome em lista alguma. O que houve foi que uma pessoa disse que ouviu que eu teria estado em algum lugar para supostamente receber dinheiro. Isso nunca existiu. Tudo o que tem contra mim vem de terceiros, que disseram para terceiros e repetiram para terceiros. Não tem o menor sentido.

 

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