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quarta-feira, 11 de março de 2015 Governo | 17:24

Governo estuda ‘desidratar’ Mercadante e entregar articulação ao PMDB

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Com um diagnóstico pouco animador para os próximos meses, o governo está decidido a fazer uma “reestruturação profunda” de seu núcleo central, na esperança de acalmar a crise que atinge a presidente Dilma Rousseff. As medidas ainda estão sendo negociadas, mas auxiliares diretos da presidente admitem que pelo menos dois eixos estão em discussão. O primeiro é uma possível “desidratação” da função hoje exercida pelo ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, que concentra o papel de principal articulador do governo. O segundo resgata uma proposta antiga, que no passado já enfrentou resistência da própria Dilma e do PT: entregar a Secretaria de Relações Institucionais para o PMDB.

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O ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante(Foto: Agência Brasil)

O ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante(Foto: Agência Brasil)

No caso de Mercadante, o Planalto chegou a divulgar uma nota nesta tarde, para refutar a informação de que pretende remover o ministro do cargo de chefe da Casa Civil. Auxiliares de Dilma apontam, entretanto, que muito do que está em discussão é a possibilidade de Mercadante dividir parte das funções que exerce atualmente com colegas de Esplanada. O nome tido como natural para auxiliar nessa função é o do ministro da Defesa, Jaques Wagner.

Já a possibilidade de uma troca de comando na SRI é tida como opção clara para acalmar o PMDB e apaziguar a base aliada no Congresso. Se a ideia avançar, um nome proposto para assumir a Secretaria de Relações Institucionais – hoje comandada por Pepe Vargas (PT-RS) – é o do ex-presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). O peemedebista ficou sem mandato desde a última eleição e aguardava apenas a confirmação de que está fora da lista de investigados da Lava Jato para negociar sua entrada na Esplanada. O plano original era acomodar Henrique em pastas como o Turismo ou a Integração Nacional, mas pelo menos dois interlocutores de Dilma já sugeriram que a SRI seja entregue ao peemedebista.

O redesenho da Esplanada entra em discussão justamente no momento em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou as recomendações para que Dilma faça uma nova reforma ministerial. Nas conversas que manteve nas últimas semanas com líderes petistas, Lula queixou-se do funcionamento do núcleo central do governo e disse considerar problemático o fato de o PMDB não ter participação ativa na tomada de decisões dentro do Palácio do Planalto.

Lula, segundo interlocutores, também vem se queixando há algum tempo do modelo que coloca Mercadante como uma espécie de “todo-poderoso” do governo. Conselheiros da presidente também discutiram o assunto nesta semana, em algumas reuniões no Palácio do Planalto. A conclusão tirada de um desses encontros é que, em tempos de instabilidade, é arriscado demais concentrar uma fatia tão grande das funções de articulação política e interlocução com a presidente em um único ministro.

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