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domingo, 15 de março de 2015 Partidos | 08:00

‘PT vive momento difícil, mas isso não significa que devemos recuar’, diz presidente da sigla em SP

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Diante das manifestações previstas para este domingo contra o governo Dilma, o PT de São Paulo, berço do partido e maior colégio eleitoral do país, admite que o momento é de dificuldade para a legenda. O presidente do partido na capital, Paulo Fiorilo, diz que o momento é de reação e cobra da legenda que vá para as ruas.

“O PT tem que ir para as ruas, de onde nunca deveria ter saído”, diz o dirigente. Fiorilo minimiza o desgaste vivido pelo prefeito Fernando Haddad e diz ainda ver espaço para assegurar uma candidatura competitiva à reeleição, mesmo diante da perspectiva de saída da senadora Marta Suplicy da legenda. Marta deve anunciar em breve sua ida para o PSB, legenda pela qual deve disputar a eleição municipal.

“Nos últimos meses, ela passou de fato a fazer críticas ao partido e ao governo. Mas essas críticas são uma opinião pessoal dela. Mas acredito que ela está construindo o caminho dela. Só espero que este caminho não passe pela saída dela do PT”, disse o petista. Confira a entrevista:

Este domingo deve ser marcado por manifestações contra o governo Dilma, principalmente em São Paulo. Como o senhor avalia esse forte desgaste enfrentado pelo PT?
O PT de fato vive um dos seus momentos mais difíceis. Mas isso não significa que devemos recuar. Nós temos que fazer essa discussão, tornar esse debate público. O PT tem que ir para as ruas, de onde nunca deveria ter saído. É justamente o que estamos fazendo em São Paulo, estamos participando de encontros, organizando eventos. E é assim que vamos para o enfrentamento.

Paulo Fiorilo (Foto: Divulgação/Facebook)

Paulo Fiorilo (Foto: Divulgação/Facebook)

O senhor disse que o PT nunca deveria ter saído das ruas. O partido se desligou da sua origem? 

Uma das dificuldades que um partido que vira governo tem é ver seus principais quadros irem para este governo. Isso, naturalmente, cria uma dificuldade. O que eu acho é que nós temos que retomar este espaço, um espaço que é nosso.

E, diante disso, a senadora Marta Suplicy se prepara para sair do partido. E ela tem aproveitado, enquanto isso, para atacar o PT dentro do próprio PT. Como lidar com mais esse problema?
Primeiro, a Marta ainda não avisou ao PT que pretende sair. Marta é um nome que faz parte da história do PT. Ela disputou cargos importantes, foi prefeita, foi senadora. Nos últimos meses, ela passou de fato a fazer críticas ao partido e ao governo. Mas essas críticas são uma opinião pessoal dela. Mas acredito que ela está construindo o caminho dela. Só espero que este caminho não passe pela saída dela do PT.

Independentemente da Marta, a eleição deve ser difícil para o prefeito Fernando Haddad. Por conta de um desgaste da gestão dele e da perspectiva de serem lançadas várias candidaturas.
Ainda temos um longo caminho pela frente até a eleição. E nós acreditamos que ainda há tempo e espaço para fazermos todo esse debate, essa discussão, sobre o que foi feito na gestão Haddad e sobre o que ainda é possível fazer. Acredito que, feito esse debate, nós temos sim condições de ter uma candidatura competitiva com Haddad.

Mas esse era o mesmo discurso do PT para a eleição de governador. E o desempenho do Alexandre Padilha não chegou ao patamar histórico que o partido prometia alcançar.
Acho que na eleição do ano passado nós não fizemos a leitura certa do cenário. Tenho certeza de que, com uma leitura mais precisa do momento, a nossa candidatura será forte.

Em São Paulo, muito do desgaste é também da Dilma, do governo federal. O que dá para fazer pensando no governo federal?
O governo federal vive também uma conjuntura muito difícil. É um momento econômico complicado, com necessidade de ajustes. Mas  a recuperação se dará a partir de medidas positivas que serão anunciadas em breve, como a terceira fase do programa Minha Casa Minha Vida. São medidas que vão ajudar a minimizar essa conjuntura difícil que o Brasil vive.

O PT também se vê diante do envolvimento de vários integrantes na Lava Jato. O senhor acredita, por exemplo, que o tesoureiro João Vaccari deve ficar no cargo?

O PT tem reafirmado seu compromisso com a apuração. Cabe ao partido agora avaliar o momento de agir e o momento de esperar. Eu não acho que tenhamos que defenestrar companheiros antes que tudo seja apurado e que os processos sejam concluídos. Ainda estamos no meio desse processo. Mas é claro que o PT precisa estar bem sintonizado com todos esses acontecimentos, para poder tomar as medidas necessárias quando chegar a hora certa, caso algum dos envolvidos de fato tenha culpa.

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