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domingo, 22 de março de 2015 Eleições | 09:00

‘Fora do PT, Marta perde parte da rejeição e pode ir ao segundo turno’, diz Márcio França

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O presidente do PSB paulista e vice-governador de São Paulo, Márcio França, não disfarça o entusiasmo com os planos de lançar Marta Suplicy como candidata a prefeita de São Paulo em 2016. Só se falava no assunto nas rodas formadas durante a festa de aniversário da petista, na última sexta-feira. Ali, a ministra admitiu ao jornal O Estado de S. Paulo que está de saída do PT, mas na festa, segundo França, ela optou pela discrição.

França diz que, ao migrar para a oposição ao governo Dilma, Marta tende a crescer no eleitorado paulista. “Fora do PT, ela perde parte da rejeição que tem e isso pode levá-la ao segundo turno”, disse o vice-governador, ao Poder Online. Confira a entrevista:

Márcio França. (Foto: Divulgação)

Márcio França. (Foto: Divulgação)

O senhor esteve na sexta-feira na festa da senadora Marta Suplicy. Ela anunciou sua ida para o PSB?
Ela não falou nada ali. Mas estamos caminhando nesse sentido. Ela mesma traçou este caminho. É uma opção importante, uma opção diferente daquela que guiou sua carreira até agora. Estamos certos de que ela vai fazer muita diferença na próxima eleição. Ela tem entrada na periferia, mas tem mais do que isso. Tem um recall como prefeita de São Paulo, com uma boa avaliação em vários setores. Fora do PT ela perde parte da rejeição que tem e isso pode levá-la ao segundo turno.

Mas será uma eleição bastante disputada. 
Sim, é uma eleição em que a maioria dos nomes já está colocada. Teremos Marta, Celso Russomanno, o prefeito Haddad, e provavelmente um candidato do PSDB, cujo nome ainda não está claro. Ao se deslocar para outro campo, Marta vai atrair esse eleitor que gosta do jeito do Geraldo Alckmin de fazer as coisas.

Quando o senhor fala em se deslocar para outro campo o senhor quer dizer ir para a oposição ao PT?
Sim. Marta tem a mesma ideia de ter uma visão crítica em relação ao governo Dilma que o PSB tem. É uma oposição, mas sem radicalismos. Ela tem feito uma crítica dura à presidente Dilma. Mas não precisa discordar de tudo do governo petista.

Quando Marta começou a ensaiar sua saída do PT,  circulou a ideia de que ela tentaria repetir Marina Silva, que deixou o PT e disputou a Presidência. É mais ou menos a mesma coisa?
Acho que tem a ver, mas é diferente. Marina é uma pessoa que, eu acredito, ainda pode conversar conosco. Estou certo de que vamos conversar. Talvez esta hora já tenha chegado. Talvez não tenha mais muito sentido essa ideia de criar a Rede. Acho que a Marina é uma mulher avançada para o seu tempo. As coisas funcionam diferente na prática. Ela é algo como o Itamar foi.

Como o Lula?
Também. Mas acho que se ela apoiasse a Marta seria sem dúvida muito importante.

Com a morte do governador Eduardo Campos, a vinda de Marta e outros políticos para o PSB é um jeito de tentar dar uma nova identidade ao partido?
Essa coisa de nos colocarmos como críticos ao governo sem radicalismo está atraindo muita gente. Depois da tragédia que o partido viveu, passamos por um período difícil. Mas muita gente achava que estávamos enterrados quando, na verdade, somos uma semente. Podemos agora construir um campo maior. Estamos negociando uma fusão com o PPS. No Senado, esperamos fazer 10 nomes.

Marina tem chance de ser candidata a presidente de novo se ficar no partido? 
Acho que ela mesma sabe que hoje seria muito difícil aprovar no diretório um projeto como esse. Mas tem espaço para muitas outras coisas. Ela tem a opção de fazer uma luta política fora do sistema partidário. Mas se optar por fazer dentro, pode disputar cargos ou não disputar.

 

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