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domingo, 10 de agosto de 2014 Congresso | 08:00

‘Não queremos ir com muita sede ao pote’, diz petista sobre CPI do metrô

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Mesmo sem ter sido oficializado como relator da CPI do Metrô, o deputado federal Renato Simões (PT-SP) já se adiantou para não perder tempo até setembro e pretende visitar ainda neste mês os órgãos onde já correm inquéritos relativos à prática de cartel em licitações do metrô de São Paulo e no Distrito Federal. Os processos servirão de base para a investigação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que foi instalada na última quarta-feira.

Deputado federal Renato Simões (PT-SP). Foto: Agência Câmara

Deputado federal Renato Simões (PT-SP). Foto: Agência Câmara

Em entrevista ao Poder Online, porém, Simões diz discordar de que a instalação da CPI dois meses antes das eleições vá ser utilizada em outubro. “Se nós tentarmos usar eleitoralmente, eles vão esvaziar as reuniões e não teremos quórum. Os tucanos não querem só evitar o uso eleitoral da CPI, eles querem evitar uma investigação que os coloque na cadeia”, diz o deputado paulista. “Não trocaremos três denúncias antes das eleições por uma investigação que possa desmontar o esquema do PSDB”, explica.

De acordo com Simões, a CPMI terá de ser conduzida de maneira a evitar “constrangimentos” com os partidos que compõem, ao mesmo tempo, a base aliada da Dilma no Congresso Nacional e a do governador tucano Geraldo Alckmin, em São Paulo.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista:

Poder Online:  Deputado, o senhor já deu entrada em alguns requerimentos na semana passada, mesmo sem a CPMI ter definido a presidência e a relatoria. O que mais o senhor pretende fazer até setembro?
Renato Simões (PT-SP): Por uma contingência da reunião de quarta-feira, que foi extremamente desgastante e não conseguiu eleger nem a presidência, nem a relatoria, estamos com um funcionamento precário e a única atividade possível até dia 02 de setembro é a apresentação de requerimentos e a eventual realização de diligências e reuniões de trabalho informais, pra não perder o mês de agosto.

E qual o objetivo desses requerimentos? Que solicitações estão sendo feitas?
Uma coisa importante que a CPI pode fazer – e por isso já protocolamos esse requerimento – é criar uma integração e uma circulação de informações entre os vários inquéritos que já existem. Nós queremos centralizar as informações dispersas de inquéritos abertos em cinco grandes instituições no Brasil: no Ministério Público Federal, no Ministério Público Estadual de São Paulo, na Política Federal, na Corregedoria Geral da Administração do Governo de São Paulo e no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). Além dos inquéritos no exterior.

A CPMI também vai pedir acesso aos inquéritos de fora do Brasil?
Os requerimentos que apresentamos, inicialmente, têm a ver com os inquéritos que já são de conhecimento nosso com relação às instituições no Brasil. Mas, quando tivermos acesso aos inquéritos do MPF veremos que parte deles é decorrente de inquéritos no exterior. A Justiça suíça, por exemplo, já tem inclusive algumas condenações, algumas contas no exterior bloqueadas de tucanos aqui de São Paulo. A parte brasileira desse inquérito corre no Ministério Público Federal. Essa foi a grande polêmica que teve: a Suíça pediu o apoio do MPF e ficaram durante três anos aguardando uma resposta que não foi implementada. Chegaram a romper relações que só depois foi recuperada.

E quais visitas já estão programadas?
Como membro da CPMI, pretendo visitar pessoalmente o Ministério da Justiça, além dessas cinco instituições, para conhecer os titulares dos inquéritos e já estabelecer uma primeira relação. Até para o caso de eu ser confirmado como relator, já incorporar essas informações ao meu plano de trabalho.

Existe alguma possibilidade de o senhor não ser confirmado como relator ou de o senador João Alberto (PMDB-MA) não assumir a presidência?
Na verdade, nesta semana lideranças do PT e do PMDB vão ter de sentar para bater o martelo. O senador João Alberto nem era membro da CPMI e foi designado na quarta-feira de manhã, em substituição ao senador Casildo Maldaner (PMDB-SC). Então é importante a gente se organizar para chegar com os votos articulados, porque essa anti-candidatura do (deputado federal, Fernando) Francischini (SDD-PR), que vem só para desmoralizar a CPMI, pode se aproveitar do vácuo. Nós não trabalhamos 20 anos esperando uma investigação independente para entregar na mão da base de sustentação do Alckmin – como é o Solidarierdade.

O PT criticou muito a oposição por um suposto uso eleitoral da CPI da Petrobras e agora tem recebido a mesma crítica. O que o senhor acha disso?
Acho que a situação é diferente por duas razões. Primeiro que a principal contribuição que o PT quer dar a essa CPMI é que ela exista, porque nunca houve uma CPI que investigasse os tucanos. Então, não queremos ir com sede ao pote, nem estamos pressionados por uma situação de curtíssimo prazo – queremos que até dezembro nós possamos apresentar os resultados. É preciso que, mesmo num momento instável da política, a CPI possa cumprir sua finalidade constitucional de levar uma investigação séria ao povo de São Paulo sobre a corrupção tucana.

E a segunda razão?
É que a maior parte dos partidos da base aliada da Dilma no Congresso Nacional são da base aliada do (governador Geraldo) Alckmin, em São Paulo e não vamos poder criar constrangimento com esses partidos. Sem reforma política, é isso que acontece hoje, né. Temos que ir com muita responsabilidade nesse processo, para não inviabilizar a CPI – que é o objetivo dos tucanos. Se nós tentarmos usar eleitoralmente, eles vão esvaziar as reuniões e não teremos quórum. Os tucanos não querem só evitar o uso eleitoral da CPI, eles querem evitar uma investigação que os coloque na cadeia. Mas nós queremos investigar a corrupção tucana, até porque o cartel já está provado e as empresas envolvidas já são réus confessos. Não trocaremos três denúncias antes das eleições por uma investigação que possa desmontar o esquema do PSDB. O PT não está pressionado a curtíssimo prazo para ter resultados dessa CPI até a eleição de outubro, mas sim a dar uma resposta ao povo de São Paulo que espera há 20 anos por essa investigação.

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