Publicidade

Posts com a Tag anos de chumbo

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013 Brasil | 11:00

Dilma e a Comissão da Verdade

Compartilhe: Twitter

Marcado pelo Palácio do Planalto, o encontro ocorrido ontem entre a presidenta Dilma Rousseff e o coordenador da Comissão Nacional da Verdade, Claudio Fonteles,terminou cercado de mistério.

Como atendeu a um convite da presidente, Fonteles informou apenas que aproveitou a ocasião para marcar uma nova audiência de todos os sete integrantes da comissão com a presidente, provavelmente no final de fevereiro.

Dilma, como se sabe, evita falar sobre seu papel como militante da luta armada. Mas ajudou a planejar algumas ações, entre elas a que resultou no roubo ao cofre do ex-governador de São Paulo, Ademar de Barros, no Rio.

A CNV não vai tratar das ações da esquerda no relatório sobre os anos de chumbo. A apuração está concentrada nos crimes praticados por agentes públicos a serviço do regime militar.

Mas no acervo do Arquivo Nacional, as novas levas de documentos, têm encantado pesquisadores pela fartura de informações sobre ações de ambos os lados.

Autor: Tags: ,

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013 Brasil | 11:00

SNI vetou ingresso de Fonteles no Ministério Público

Compartilhe: Twitter

A reconstituição dos anos de chumbo tem trazido à memória dramas pessoais que o procurador Claudio Fonteles, coordenador da Comissão Nacional da Verdade, havia deixado no passado.

Fonteles foi perseguido, escondeu-se da polícia e, mais tarde, teve seu nome vetado pelo SNI quando tentou ingressar no Ministério Público Federal (MPF), em 1973.

“Havia sido aprovado na prova escrita, mas precisava ainda passar pelo o ‘exame’ do SNI para fazer a prova oral. Encaminharam meu nome com uma pergunta: pode seguir? Não pode, respondeu o SNI”.

O futuro procurador, que se tornaria o primeiro chefe do MPF de Lula foi vetado por causa da militância na Ação Popular, organização de origem católica que se dividiu entre a luta armada e o enfrentamento político.

Ele revela que quem derrubou o veto foi o ex-procurador geral da República, Henrique Fonseca de Araújo, que peitou o SNI colocando seu cargo à disposição numa conversa transparente com o então ministro da Casa Civil do governo Geisel, Leitão de Abreu.

Araújo explicou que sabia dos ideais socialistas do candidato a procurador, mas que ele era homem de sua estrita confiança. Leitão de Abreu argumentou que se tratava de um comunista.

Amigo e conterrâneo do chefe da Casa Civil, Araújo condicionou: se o veto fosse mantido, ele deixaria a função de consultor de Leitão de Abreu e voltaria para o Rio Grande do Sul. O então ministro acabou rasgando o veto do SNI e Fonteles iniciaria a trajetória que o levou ao topo da carreira.

Autor: Tags: , , , ,

sexta-feira, 30 de novembro de 2012 Congresso | 16:00

Reforço na busca da verdade

Compartilhe: Twitter

Com a experiência de quem, como prefeita da capital paulista, estimulou o funcionamento da primeira comissão parlamentar que investigou os crimes da ditadura -a famosa CPI de Perus, que retirou ossadas de militantes de esquerda enterrados numa vala comum do Cemitério de Perus -, a deputada Luiza Erundina (PSB) vai dar um reforço à cruzada empreendida pela Comissão Nacional da Verdade.

Na semana que vem, como presidente da Comissão Parlamentar Memória, Verdade e Justiça da Câmara, ela assinará um convênio de cooperação entre Câmara e CNV, que será representada por seu coordenador, o ex-procurador Claudio Fonteles.

A Câmara tem um dos maiores acervos do país sobre os anos de chumbo. Nos anais da casa estão registrados desde os primeiros atos do regime que se instalou com o golpe civil-militar em 1964 até denúncias recentes sobre possíveis paradeiros de desaparecidos políticos. São documentos preciosos para reconstituir o período.

Autor: Tags: , , ,

sexta-feira, 23 de novembro de 2012 Brasil | 00:07

A ordem era matar quem foi a Cuba, diz Fonteles

Compartilhe: Twitter

Ao ligar documentos esparsos que encontrou no Arquivo Nacional, o coordenador da Comissão Nacional da Verdade, Claudio Fonteles, concluiu que havia ordem do regime militar para que militantes de esquerda trocados por diplomatas ou que fugiram para Cuba deveriam ser executados ao retornar ao Brasil.

Ele analisou o caso de três militantes da Ação Libertadora Nacional (ALN), Boanerges de Souza Massa, Rui Berbert e Jeová de Assis Gomes, presos respectivamente, em Pindorama, Natividade e Guará, no Norte de Goiás.

Os documentos inéditos mostram que os agentes assinalavam ser necessário aproveitar um momento de racha na ALN, a debilidade do grupo (dois deles estavam com malária) e o fato de ainda não terem conseguido instalar a base guerrilheira.

Fonteles transcreve a recomendação oficial: “É vital a eliminação desses elementos antes que consigam se firmar e quando sua vulnerabilidade é clara”.

Pela versão oficial, Berbert suicidou-se, Jeová morreu ao reagir e Boanerges desapareceu depois de ser transferido para Brasília.

“Os opositores ao regime, que retornassem de Cuba, seriam, como o foram, sumariamente mortos pelo Estado Ditatorial militar, que os vigiava, passo a passo, mesmo em território cubano e, principalmente, a partir do instante em que de lá partissem”, escreve Fonteles.

O texto toca em outra ferida da esquerda: a de que poderia haver um delator já em Cuba. Dos 26 militantes que retornaram entre o final de 1971 e início de 1972, e que se tornaram alvos da chamada “Operação Ilha”, apenas seis escaparam, entre eles, o então militante José Dirceu.

Autor: Tags: , , ,