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domingo, 13 de maio de 2012 Congresso | 12:46

PT modera discurso na CPI do Cachoeira, e já aceita depoimento por escrito do procurador-geral da República.

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Ex-líder do PT na Câmara, o deputado Paulo Teixeira (SP) é um dos representantes da cúpula nacional do partido na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da Câmara e do Senado sobre o bicheiro Carlinhos Cachoeira e seu envolvimento com políticos e administradores públicos.

Em entrevista ao Poder Online, Teixeira declara aceitar que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, não mais deponha na CPI e mande por escrito suas explicações para o atraso no pedido de abertura de processo contra o senador goiano Demóstenes Torres (ex-DEM).

Nesta segunda-feira, o PT se reúne para afinar as posições do partido na CPI. Teixeira diz não ter opinião formada sobre a possibilidade de depoimento da esposa de Gurgel, subprocuradora Cláudia Sampaio Marques.

A subprocuradora atuou na Operação Vegas – que junto com a operação Monte Carlo reuniu os dados investigados pela CPI – e há três anos saberia do envolvimento de políticos com o bicheiro.

Mais moderado, o petista também defende que não é o momento de chamar a depor os governadores até agora apontados pela imprensa como envolvidos com a delta Engenharia ou com Carlinhos Cachoeira. Nem mesmo o governador tucano de Goiás, Marconi Perillo.

Poder Online – O PT já aceita essa proposta de o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, responder apenas por escrito às indagações da CPI do Cachoeira?

Paulo Teixeira – O PT ainda vai se reunir (reunião do partido sobre esse assunto está marcada para esta segunda-feira). Eu, pessoalmente, acho que o fundamental é que tanto ele, o procurador-geral, como a subprocuradora (Claudia Sampaio) se expliquem. O processo ficou parado tempo demais sem que a Procuradoria desse andamento. O país precisa de uma explicação para essa paralisia. Parece que a subprocuradora está dizendo que fez isso a pedido da Polícia Federal. É isso mesmo? É uma explicação razoável?

Poder Online – Pelo que entendo, quando o senhor fala que é fundamental que o procurador-geral se explique, é porque já está aceitando que ele o faça por escrito. O senhor já aceita que O Roberto Gurgel não preste depoimento à CPI? Por que este recuo do PT?

Paulo Teixeira – Aceito. Eu nunca lutei pelo depoimento presencial. Sempre cobrei explicações. Apenas isso. Fui a primeira pessoa a manifestar posição contrária à do senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL), quando ele propôs, lá no início da CPI, que o procurador deveria prestar depoimento. Não mudei de posição desde então. Continuo cobrando explicações do procurador-geral.

Poder Online – E quanto à subprocuradora Claudia Sampaio? O senhor aceita que ela mande as explicações por escrito apenas?

Paulo Teixeira – No caso dela, ainda não tenho uma opinião formada.

Poder Online – Na reunião do partido, amanhã, qual a posição que o senhor vai levar?

Paulo Teixeira – A de que temos que encontrar o melhor método de obter respostas concretas ao atraso na abertura de processo. Só isso. Temos que ter estas respostas, mas também não queremos transformar a CPI do Cachoeira na CPI do Procurador-Geral.

Poder Online – O que o senhor achou daquela declaração de Roberto Gurgel, segundo a qual as pessoas que insistem no seu depoimento estão, na verdade, com medo do julgamento do Mensalão pelo Supremo Tribunal Federal?

Paulo Teixeira – Interpreto esta declaração como a tentativa de criar uma cortina de fumaça. Ele está apenas tentando esconder sua responsabilidade pelo atraso na abertura de processo contra os políticos envolvidos com o Cachoeira. De nossa parte, estamos interessados em dissecar a organização criminosa que se formou em torno do senhor Cachoeira e seus tentáculos na área pública. Seja ela federal, estadual ou municipal. Seja no Executivo, no Legislativo ou no Judiciário.

Poder Online – Para investigar esses tentáculos, alguns governadores terão que ser chamados a depor. Não é mesmo?

Paulo Teixeira – Acho que este não é o momento de chamarmos os governadores.

Poder Online – Nem o tucano Marconi Perillo?

Paulo Teixeira – Nem ele. Temos que construir mais elementos antes de convocá-lo. Mas, na medida em que a CPI for fechando o cerco das responsabilidades nos atos praticados pela quadrilha do Cachoeira, aí vamos chamando.

Poder Online – É um recuou. Vocês defendiam que ele prestasse depoimento imediatamente.

Paulo Teixeira – Não. O que afirmei e reafirmo é que, se formos analisar os governadores, evidentemente as maiores responsabilidades recaem sobre o Perillo. Mas, quanto ao momento de convocá-lo, não é agora. Acho que ainda temos que levantar mais dados.

Poder Online – E o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB)?

Paulo Teixeira – O que se tem falado do Sérgio Cabral é uma outra história que não está no escopo da CPI.

Poder Online – Como assim? Tem-se falado da ligação dele com o dono da Delta Engenharia, empresa que, segundo o inquérito da Polícia Federal, é ligada ao Cachoeira.

Paulo Teixeira – No plano do que se apurou até agora, não há nada implicando o governador do Rio. Seu nome nem sequer consta daquela lista da Polícia Federal com os 82 envolvidos nas investigações até o momento.

Poder Online – E o governador Agnelo Queiroz, que é do seu partido, o PT?

Paulo Teixeira – Também não vimos nada até agora que implique o governador Agnelo.

Poder Online – Mas há conversas telefônicas em que ele foi citado.

Paulo Teixeira – Citações distantes. Inclusive apontando que ele não fez o que os implicados desejavam.

Poder Online – E essa historia da compra da Delta pelo Grupo J&F, cuja principal controladora, a JBS, tem 31% de participação de capital do BNDES (Banco Nacional Desenvolvimento Econômico e Social)?

Paulo Teixeira – O primeiro ponto é que praticamente todas as empresas do país, de uma forma  ou de outra, têm ou tiveram participação do BNDES. O segundo ponto é que o governo precisa garantir a continuidade das obras em que a Delta está envolvida. Não podemos parar o país por causa do desmantelamento da Delta. E o terceiro ponto é que esta compra não interfere de modo algum nas investigações. Então não vejo problema.

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