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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011 Brasil | 10:06

Derrotado no plebiscito, deputado se refugia no interior do Pará

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Depois de a população do Pará rejeitar a criação de Carajás e Tapajós, o líder do PDT na Câmara, deputado Giovanni Queiroz, defensor da divisão, se refugiou em sua fazenda, no interior do estado.

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sábado, 10 de dezembro de 2011 Brasil | 06:04

Giovanni Queiroz: “Pará só sairá do fundo do poço com a criação dos novos estados”

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O deputado Giovanni Queiroz (Foto: Divulgação)

O líder do PDT na Câmara, deputado Giovanni Queiroz, deixou Brasília no início da semana para fazer campanha pela criação de Carajás e Tapajós.

Autor de um decreto legislativo apresentado há quase vinte anos pela divisão do Pará, ele afirma que o estado só sairá do fundo do poço se a população paraense aprovar amanhã, em plebiscito, a criação dos novos estados.

– Para sairmos do fundo do poço, temos que criar os estados. É a única forma de angariar recursos financeiros para alavancar o nosso desenvolvimento e atender as nossas demandas – defendeu.

Em conversa com o Poder Online, o deputado que trabalha com possibilidade de governar o futuro estado de Carajás, diz que os novos estados nasceriam com extraordinária capacidade de investimento e que há exemplos no mundo todo de que a “descentralização, a reorganização geopolítica, é fundamental para ter êxito na gestão”.

Poder Online – Por que o senhor é a favor da divisão?

Giovanni Queiroz – Porque esse é o único projeto de desenvolvimento para o estado do Pará e para a Amazônia. O mais importante projeto. Hoje, a capacidade de investimento do Pará é zero. O governador não teve capacidade de pagar o piso salarial nacional do professor, que é R$ 1188,00. Aqui no Pará está se pagando R$ 1122,00. E o governador ganhou a causa na Justiça porque provou que não tem dinheiro para os R$ 66,00 que faltam. Os nossos hospitais estão superlotados e os médicos não recebem desde outubro. O estado do Pará chegou no fundo do poço em termos de capacidade de investimento. E, logicamente, isso atrapalha a gestão: sem dinheiro, não se tem bom gestor. Para sairmos do fundo do poço, temos que criar os estados. É a única forma de angariar recursos financeiros para alavancar o nosso desenvolvimento e atender essas demandas de educação, de saúde.

Poder Online – Qual é a garantia que os eleitores têm que depois da criação dos novos estados será diferente?

Giovanni Queiroz – Há o exemplo dado pelo mundo todo na sua organização geopolítica, descentralizando a gestão e colocando o cidadão próximo do gestor e o gestor, por sua vez, logicamente, próximo do cidadão. Para facilitar o atendimento das demandas e a participação do cidadão na fiscalização. O mundo já exemplificou para o Brasil que a descentralização, a reorganização geopolítica, é fundamental para ter êxito na gestão.

Poder Online – E no Brasil?

Giovanni Queiroz – Temos aqui dois laboratórios a céu aberto: Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, há 33 anos; e Goiás e Tocantins, há 22 anos. Todos os dois exitosos, extremamente exitosos. A ponto de terem um crescimento do PIB 250% superior ao crescimento médio do PIB nacional. Quando se fala em infraestrutura, havia apenas 110 quilômetros de rodovias pavimentadas no Tocantins quando ele foi criado. Hoje são 6 mil quilômetros. Se olharmos para a questão do saneamento, o Tocantins tinha apenas 5% de água encanada. Hoje 97,5% das residências urbanas no Tocantins têm água encanada e potável, o que é mais importante. Você pode abrir a torneira e beber água. Na área da educação foi provocada uma revolução. Eles têm cinco faculdades de Medicina. O Pará todo só tem quatro. E nós, no Carajás, não temos nenhuma. O desenvolvimento do Tocantins, seja na área econômico, social, educacional, estruturante, foi tão grande, tão exitoso, que causa inveja às outras regiões, que estão convivendo com o atraso.

Poder Online – Um dos argumentos dos que estão contra a divisão é que os novos estados implicariam gastos extras.

Giovanni Queiroz – Contra fatos não há argumentos. É assim que está o pessoal do não aqui. Eles estão dizendo não e não e sem dizer o motivo. E se ganhar o não, o que acontece no dia seguinte? Nada. O Pará continuará desse mesmo jeito. E mais: alguns dados sobre o Pará nos assustam. O Pará tem um dos piores índices educacionais do Brasil. Das 100 cidades mais violentas do país, 17 delas estão no Pará. Sendo 12 delas em Carajás. Marabá, que é a cidade mais importante do Carajás, é a quarta cidade mais violenta do país. E isso ocorre por causa da ausência de Estado. Da ausência de governo.

Poder Online – Se a proposta de divisão do Pará for aprovada, Carajás e Tapajós serão totalmente dependentes do governo federal?

Giovanni Queiroz – Os estados nasceriam com capacidade de investimento na ordem de 30%, 40% de seus orçamentos. Para exemplificarmos, o orçamento consolidado do Tocantins em 2010 foi de R$ 5 bilhões. Sendo que 20% da receita ficaram para investimento. O estado do Tocantins foi criado numa condição de miséria absoluta e o governo federal não repassou nos cinco primeiros anos nenhum centavo. Foi repassado R$ 500 milhões cinco anos depois de o estado nascer, em termos de transferências voluntárias. O Tocantins, que estava na miséria absoluta por 22 anos, se transforma num estado com crescimento rápido. E não dependeu de nenhum centavo do governo para montar sua estrutura.

Poder Online – Se o “sim” ganhar, quando será a eleição para os governos dos estados de Carajás e Tapajós?

Giovanni Queiroz – Inicialmente pensávamos na possibilidade de esperar três anos para fazer a eleição de governador junto com as eleições de 2014. No entanto, se o “sim” ganhar, achamos que é melhor fazer já a eleição no ano que vem, com um mandato tampão de dois anos. Porque diminui esse sofrimento. O estado não tem capacidade de gestão.

Poder Online – O senhor é candidato a governador de Carajás?

Giovanni Queiroz – Eu quero primeiro criar o estado. Depois eu até discuto isso com você.

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Brasil | 06:01

Deputado contrário à divisão do Pará diz que plebiscito deixará sequelas

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Zenaldo Coutinho (Foto: Beto Oliveira/Ag. Câmara)

Presidente da Frente em Defesa do Pará Contra a Criação do Estado do Carajás, o deputado Zenaldo Coutinho (PSDB) afirmou que o plebiscito de amanhã sobre a divisão do estado deixará sequelas devido ao acirramento do tema.

— A desqualificação do Pará e de nossa gente deixará marcas — disse.

Em entrevista ao Poder Online, Coutinho defendeu que os problemas enfrentados hoje no Pará não têm a ver com o tamanho de território, mas com as perdas geradas pela Lei Kandir.

E argumentou que a criação dos estados de Carajás e Tapajós apenas aumentará despesas e a criminalidade.

Poder Online – O governador Simão Jatene disse que o plebiscito cria ressentimento e mágoa no povo? O senhor concorda?

Zenaldo Coutinho – Teremos sequelas por causa do acirramento de ânimos e de excessos e atitudes desnecessárias. A desqualificação do Pará e de nossa gente deixará marcas. Mas a partir do dia 12, temos o papel de apagar as diferenças e divergências, pelo bem do estado.

Poder Online – Qual é sua aposta para o resultado amanhã do plebiscito?

Zenaldo Coutinho – O número de contrários à divisão do estado vai crescer. Acho que será maior do que os 61% apontados no último Datafolha.

Poder Online – Por que o senhor é contra a divisão do estado do Pará?

Zenaldo Coutinho – As dificuldades que o Pará enfrenta hoje não estão vinculadas ao tamanho do território. Sofremos é uma apropriação dos nossos recursos pela União para garantir a balança comercial do Brasil. A exportação de primários como o minério, o gado e a madeira – que são base da nossa economia – hoje é desonerada de impostos por causa da Lei Kandir. O Pará já perdeu 21,5 bilhões por causa dessa lei. Enquanto isso, acolhemos, a cada dia, mais imigrantes, em geral pobres, sem qualificação e em busca de emprego.  E, em contrapartida, recebemos migalhas. A nossa renda per capita é baixa por conta dessa situação injusta preconceituosa.

Poder Online – Mas os investimentos não seriam mais bem distribuídos se o estado fosse dividido?

Zenaldo Coutinho – Talvez no século passado, não na economia do século 21. Se não, estados menores como o Piauí e Alagoas seriam extraordinários. Por que, então, Minas Gerais e o Amazonas não aceitam dividir seus territórios?

Poder Online – No caso da saúde, por exemplo, onde casos de alta complexidade precisam ser encaminhados para Belém, a divisão não ajudaria regiões mais afastadas?

Zenaldo Coutinho – Belém é referência em casos de oncologia e cardiologia. Mas temos atendimento de alta e média complexidade nos cinco hospitais regionais do país. Não estou dizendo que estamos às mil maravilhas. Temos muitos problemas, mas isso não é por causa da extensão do estado. Proximidade física de governante não significa eficácia.

Poder Online – Tocantins e Mato Grosso do Sul, que foram desmembrados, deram grandes saltos econômicos e sociais…

Zenaldo Coutinho – São casos totalmente diferentes. O Mato Grosso foi dividido na época do Geisel, que estava preocupado com as fronteiras entre o Brasil e países da América do Sul. Mas ele investiu recursos especiais no novo estado, assim como Tocantins, que foi criado pela Constituinte, e o estado teve perdão de suas dívidas. No caso do Pará, teríamos de dividir o Fundo de Participação dos Estados entre os três, não teríamos perdão da dívida e ainda gastaríamos para construir estrutura de governo. Quem paga essa conta? O povo.

Poder Online – Separatistas dizem que o desmatamento e criminalidade diminuiriam com a criação de mais dois estados.

Zenaldo Coutinho – Pelo contrário, agravaria a criminalidade e a pressão contra o meio ambiente, porque aumentaria o fluxo migratório para as novas capitais.

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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011 Estados | 16:54

Flexa Ribeiro critica campanha de Duda Mendonça pela divisão do Pará

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Do senador Flexa Ribeiro (PSDB) — contrário à divisão do estado do Pará — sobre a campanha pela criação de Tapajós e Carajás feita pelo marqueteiro Duda Mendonça para plebiscito que acontecerá neste domingo no estado:

— Eles bateram o tempo todo na educação, na segurança, na saúde. A campanha foi mais dura do que a do PT contra nós nas eleições do ano passado — disse ao Poder Online.

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