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segunda-feira, 2 de julho de 2012 Eleições | 09:40

A explicação do PSB para seus problemas com o PT pelo país

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Roberto Amaral (foto: Valter Campanato/ABr)

Diante do iminetnte rompimento entre o PT e o PSB em Belo Horizonte, o vice-presidente nacional do PSB, Roberto Amaral, resolveu soltar uma nota em que explica os desentendimentos entre os dois partidos em várias capitais nessas eleições.

Poucas vezes uma nota oficial de um político foi tão, digamos, sincera. Vale ler alguns trechos:

Ao PT e principalmente ao presidente Lula, tem sido fiel o PSB, e aliado permanecera enquanto seus projetos puderem ser partilhados na igualdade do respeito mútuo e no respeito às eventuais divergências de tática

(…)

Aliado leal, o PSB cultiva (como devem cultivar todos os partidos que não são meramente siglas) seu próprio projeto, seus próprios objetivos e sua forma peculiar e socialista de buscar o poder na companhia das forças de esquerda fortalecidas pelo apoio das crescentes camadas progressistas e democráticas de nossa população.

Essas observações se tornaram necessárias em face da frivolidade com a qual a média dos comentaristas, influenciando reações provincianas, se reporta ao dito ‘distanciamento’ entre o PSB e o PT, atestado pelo simples fato de o PSB ter candidaturas próprias em Recife e Fortaleza e o PT ter decidido lançar candidato próprio na disputa em Belo Horizonte, esquecidos, PSB e PT do sucesso em que se constituiu política e eleitoralmente a aliança que levou Márcio Lacerda à Prefeitura em 2008.

(…)

A explicação é vária. Pode ser a pobreza de nossas estruturas partidárias, pode ser a mediocridade do debate ideológico, pode ser a despolitização da política, pode ser, até, o pragmatismo que, como cupim insaciável, devora as entranhas de nossos partidos. Pode mesmo ser a espetacularização da política, a preeminência da campanha televisiva e, por força dela, a busca de alianças partidárias sem viés ideológico, mas simplesmente para compor tempo viável no programa eleitoral.

Pode ser tudo isso e pode ser nada disso, mas seja qual for a explicação ela não alterará a consequência objetiva, que é a lógica local, do pleito específico, orientando as coligações.

Há, porém, consabidamente, uma exceção e esta é o pleito na cidade de São Paulo, o qual, como tudo o que ocorre no principal Estado da Federação, extrapola seus limites territoriais. Por isso mesmo, em face das eleições paulistanas, a direção nacional do PSB tomou a si a condução política do processo eleitoral. Este cuidado era homenagem à qualidade da candidatura Haddad, mas era, acima de tudo, o reconhecimento da importância do pleito e de sua significação nacional.

(…)

Nossa estratégia em Recife é clara e parece factível: assegurar a presença da esquerda no segundo turno. Lá estaremos, com Geraldo ou Humberto, e, então, juntos novamente estaremos, como estivemos em 2006, após a civilizada disputa do primeiro turno.

O desfecho de Fortaleza decorre da mesma lógica, pois igualmente atende à necessidade de preservamos em nosso campo a Prefeitura, necessidade ameaçada pela crise da administração municipal e a dificuldade de encontrar como candidato um nome que unisse as forças de nosso campo.

A lógica que reúne contrários é a mesma que afasta semelhantes e, assim, em Manaus, nosso candidato, Serafim Corrêa, o único da esquerda no pleito daquela capital, não obteve o apoio nem do PT nem do PCdoB, que também não apóiam a reeleição do prefeito Luciano Ducci, do PSB, em Curitiba. Nessa cidade, o PT entendeu ser mais coerente apoiar a candidatura do deputado Gustavo Fruet, ousado quadro da direita acoitado no PDT, e o PCdoB entendeu como mais eficiente apoiar a candidatura de um deputado conhecido apenas como ‘o filho do Ratinho’.

No Rio de Janeiro PT e PSB estão aliados com o PMDB embora já alimentem o projeto da candidatura do senador Lindenberg de Faria para as eleições de 2014.

Em Porto Alegre, a base do governo Tarso Genro está dividida. PDT, PT e PSB-PCdoB, coligados, têm candidaturas próprias.

É a lógica provinciana a mesma que prevalece nas eleições de João Pessoa, onde nossa candidata à prefeitura, que tem o apoio do PCdoB, não conseguiu a adesão do PT.

Nada disso, porém, põe em risco a aliança nacional desses partidos, responsáveis pelo projeto político que ensejou os governos de centro-esquerda de Lula e Dilma, experiência que está longe de esgotar-se. Nosso compromisso com a continuidade do projeto de centro esquerda, ora liderado pela presidente Dilma, não entra em contradição com nosso desejo, legítimo e necessário de crescimento. Pelo contrario, quanto mais fortes os partidos de esquerda, melhores serão nossas possibilidades de vitória e de sustentação de governos como os de Lula e Dilma.

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