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domingo, 17 de novembro de 2013 Política | 13:00

‘Marina terá de flexibilizar sua posição’, diz ex-ministro sobre agronegócio

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O presidente da Academia Nacional de Agricultura, Roberto Rodrigues, ministro da Agricultura do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de 2003 a 2006, é o articulador dos encontros dos presidenciáveis com o setor do agronegócio.

Para ele, de forma inédita, a classe política “finalmente” voltou os olhos para a área, que ele considera como  “locomotiva” do país – e tem números decorados para reforçar sua tese.

“A classe política finalmente compreendeu  a importância do agro para a economia brasileira. De modo que uma composição com o agro tem valor político e econômico mas não tem voto porque o agro é pequeno”, afirmou.

Leia também: ‘Já passei da idade pra isso’, diz ex-ministro sondado para ser vice de Padilha

Ao Poder Online, o ex-ministro também diz que o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, pré-candidato do PSB à Presidência da República, tentará fazer com que a ex-senadora Marina Silva (PSB) flexibilize sua posição com relação ao setor. “Sustentabilidade, conservação, é um problema meu, não é da Marina. Se eu não fizer, eu perco meu negócio, minha fazenda”.

Poder Online – Qual é o panorama atual do agronegócio no Brasil?
Roberto Rodrigues –
A FAU (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura ) diz que até 2020 a oferta mundial de alimentos tem que crescer 20%. E, para que o mundo aumente a oferta em 20%, o Brasil terá que crescer 40% em dez anos. Temos vantagem, por isso FAU pede, porque temos terra disponível, tecnologia tropical e gente capaz. As exportações cresceram de 25 bilhões de dólares em 2002 para 96 bilhões em 2012, em 10 anos quase quatro vezes mais. Isso permitiu que o Brasil assumisse uma posição relevante  no comércio mundial e permitiu que o agro tivesse uma participação extraordinária. No ano passado, o saldo comercial do agronegócio foi de 79 bilhões de dólares, enquanto que o saldo do Brasil foi de 19 bilhões, incluindo o agro, portanto, os demais foram setores deficitários. Estamos sustentando a balança comercial, e isso se deu por causa de avanço tecnológico. Hoje, nós cultivamos 53 milhões de hectares com grãos no Brasil. Se nós tivéssemos hoje a produtividade por hectares de 20 anos atrás, seriam necessários mais 67 milhões de hectares, além dos 53 milhões hoje cultivados, para colher a safra que colhemos esse ano. Em outras palavras, nós preservamos 67 milhões de hectares de cerrado e floresta, isto mostra que nossa agricultura é muito sustentável, ao contrário do que pensa o vulgo e diz os nosso concorrente. Então, a agricultura é preservacionista, de regra geral. Tem gente que não preserva? Tem, mas a regra geral, os números não mentem.

Qual a avaliação da política atual para o setor?
Temos todas as vantagens necessárias, mas não vamos crescer porque temos alguns constrangimentos conhecidos: primeiro a logística, estamos crescendo produção e não fazemos investimento há 20 anos na logística, nenhum governo fez nada. É um absurdo. Tem milho apodrecendo em Mato Grosso porque não tem como escoar. Felizmente, o governo se mexeu, com as concessões das rodovias e a MP dos Portos.

O ex-ministro Roberto Rodrigues

O ex-ministro Roberto Rodrigues

É suficiente?
Será suficiente quando ficar pronto. Mas deve demorar uns sete, oito anos. Ainda vamos sofrer com logística dramaticamente uns três, quatro anos. Razão por isso, fiz muito esforço para que o governo colocasse dinheiro em armazenagem. E colocou. Cinco bilhões de reais por ano durante cinco anos. Segura a produção lá no armazém da zona de produção e alivia a logística, porque é mais rápido construir armazém do que estrada. O segundo ponto é politica de renda. Não temos politica de renda. Por exemplo, qualquer país sério tem seguro rural, o nosso hoje cobre 6%, o ideal seria 70%, 80%. É uma questão fundamental para estabilizar a renda da política de agricultura porque é uma atividade que tem os dois riscos, temperatura e mercado. Agora, não adianta ter seguro rural e não ter preço mínimo funcionando. Um preço mínimo e não politico. E a terceira questão é a reformulação do credito rural. Não é só botar dinheiro, é o custo, a forma de liberação, o zoneamento da agricultura. E tem também a questão do acordo bilateral, o mundo inteiro tem e nós não temos um acordo bilateral. O problema é que falta planejamento.

O Ministério da Agricultura não tem planejamento?
Se colocar Jesus Cristo lá de ministro, ele não faz nada. Se precisar de uma estrada, quem resolve é o Ministério dos Transportes, política agrária é com o MDA, etanol é com a Petrobrás, porto quem resolve é o Ministério dos Portos. É parte de uma engrenagem que só funciona se todas funcionarem. Aí entra o presidente da República, que tem que fazer tudo funcionar e aí aparecermos como uma potência de agronegócio e não de matéria-prima. A política está pronta, eu, quando fui ministro, criei 23 câmaras setoriais, todas presididas por iniciativa privada, mas também composta pelo governo, todas elas montaram uma politica de agricultura. O problema é que os instrumentos para a politica da agricultura estão dispersos em diversos ministérios e agências. Então, se não houver uma estratégia de estado – Executivo, Legislativo e Judiciário – nós não vamos sair do buraco e não vamos atender uma demanda mundial, inédita, para crescer 40%. Tem a estratégia e as vantagens para isso, falta funcionar. Precisa de um chefe de estado que queira, que execute a estratégia. Não estou defendendo o meu setor, estou defendendo o Brasil. Você tem um trem, que tem uma locomotiva, e essa locomotiva é o agro, com todos esses números que eu passei, não há nenhum demérito nisso, é uma vantagem, vamos aproveitá-la.

Qual importância do setor agro para essa composição que está sendo feita agora para as eleições do ano que vem?
Parece-me que todos esses números finalmente afloraram e a classe política finalmente compreendeu  a importância do agro para a economia brasileira. De modo que uma composição com o agro tem valor político e econômico, mas não tem voto porque o agro é pequeno. Acho que a classe política compreendeu a expressão política que terá um governo que se apoie no agro como uma das alavancas do desenvolvimento do país. A busca de entendimento de todos os candidatos está dentro dessa constatação. É o que estou ouvindo dos candidatos, inclusive.

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Todos eles já procuraram o setor?
De uma forma ou de outra, sim. A Dilma não, ainda, acho, não sei se já procurou alguém. Mas a Dilma tem uma relação muito franca com a Kátia Abreu, que é a maior líder do Brasil, é a maior líder nossa, presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), senadora, mudou de partido agora para se preparar até para assumir o Ministério da Agricultura mais para frente, no segundo mandato da Dilma. Nós imaginamos que ela tenha mudado de partido por causa disso, estamos apostando e confiando nisso. E como a Kátia é ótima, sabe tudo, uma liderança extraordinária, mesmo que a Dilma não tenha falado com o setor, tem a relação com a Kátia.

Mas o Lula falou com vocês, não?
O Lula fala sempre, busca sempre entendimento. O Campos já falou e o Aécio está procurando a gente também, ainda não está marcado, mas já disse que quer conversar. Nós estamos bem, a Dilma tem a Kátia, o Aécio tem o Alyson Paulinelli lá em Minas Gerais (ex-ministro da Agricultura e secretário de Agricultura de Minas Gerais por três vezes), o Eduardo conversou com 30 líderes aquele dia. Os três candidatos estão com um approach em relação à agricultura que é novo.

Marina Silva é um empecilho para o setor apoiar futuramente o Eduardo Campos? Depois da conversa entre os líderes e o governador, a relação mudou?
Mudou muito. A agricultura tinha desconfiança com o agronegócio porque ela se posicionou contra, não foi o setor que foi contra ela. Sustentabilidade, conservação, é um problema meu, não é da Marina. Se eu não fizer, perco meu negócio, minha fazenda. É um problema meu comercial, se eu não for sustentável, ninguém vai comprar meu produto, é meu problema de sobrevivência porque a tecnologia me permite fazer adequado sem destruir meus recursos, social porque senão vou para a justiça trabalhista. É a minha bandeira. O governador Eduardo Campos disse quer estabelecer uma ponte de compreensão, de acoplar nosso tema com a Marina. Penso que ela terá que flexibilizar a posição dela para que o agro flexibilize sua posição com ela. Que é o que o Eduardo Campos vai fazer, creio.

Já mudou a visão do setor em relação a Campos, então?
O setor tem uma boa visão de Eduardo Campos, como gestor público, como homem sério, como gosta do Aécio também. Mas a entrada da Marina deu uma brecada, por isso que ele procurou para fazer essa ponte. Foi o que ele me pediu quando me procurou. O que você quer? Perguntei. Quer que eu organize a reunião? Organizo, foi o que fiz. Você me ajudaria a fazer um programa de governo? Ajudo, mas vou deixar claro que se o Aécio pedir, se a Dilma pedir, se o Zé da Esquina pedir um programa de governo para a Agricultura, entregarei para todos o mesmo programa, o que não significa nem apoio político nem compromisso eleitoral porque o meu compromisso é com a agricultura.

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terça-feira, 12 de novembro de 2013 Política | 00:54

Campos compara sua aliança com Marina com a de Lula e José Alencar

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O governador de Pernambuco e pré-candidato do PSB à Presidência, Eduardo Campos, ouviu durante reunião com representantes do setor do agronegócio que a aliança com a ex-senadora Marina Silva (PSB) preocupa os empresários.

Marina e Eduardo Campos (Foto: Alice Vergueiro/Futura Press)

Marina e Eduardo Campos (Foto: Alice Vergueiro/Futura Press)

O encontro durou cerca de três horas em um hotel na zona sul de São Paulo e contou com cerca de 30 pessoas. Campos foi descrito pelos participantes como “habilidoso”. Os empresários colocaram ao governador que há contradições na aliança com Marina, sendo que ele defende o crescimento da agricultura, enquanto a ex-senadora fala em sustentabilidade.

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Ao ser questionado como ele lidaria com as diferenças, Campos citou o exemplo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu vice José Alencar, chamado a integrar a chapa do petista para ganhar a confiança de empresários após Lula perder três eleições. E disse que tem conversado com Marina sobre o tema e que ela está aberta ao diálogo.

A reunião, organizada pelo ex-ministro da Agricultura  e presidente do Centro da Fundação de Agronegócio Centro de Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas, Roberto Rodrigues, a pedido de Campos, serviu para apresentar o pernambucano aos empresários e tentar dissipar o mal-estar gerado pelas críticas da ex-senadora à bancada ruralista do Congresso.

 

 

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quarta-feira, 18 de setembro de 2013 Política | 10:30

‘Já passei da idade pra isso’, diz ex-ministro sobre sondagem para ser vice de Padilha

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Reunidos no último domingo (15), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro e pré-candidato o governo paulista Alexandre Padilha (Saúde) e a cúpula do PT colocaram o nome do ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues to topo da lista de possíveis vices para compor a chapa petista ao Palácio dos Bandeirantes. Participaram da conversa também o presidente do diretório estadual do PT-SP, Edinho Silva, o candidato à presidência do diretório Emidio de Souza, e o presidente nacional do partido, Rui Falcão.

Rodrigues foi ministro de Lula de 2003 a 2006. O ex-presidente quer um nome que possa ter forte apelo no interior do Estado -reduto do governador Geraldo Alckmin (PSDB)-, preferencialmente ligado ao agronegócio.

O ex-ministro -que atualmente é presidente da  Academia Nacional de Agricultura, ligada à  Sociedade Nacional de Agricultura (SNA)- confirmou que recebeu três ligações de sondagem sobre o assunto durante o fim de semana, mas não pensa em levar o assunto adiante.

“Eu tenho 71 anos, já passei da idade pra isso. É um tema fora do meu cenário. Faz uma massagem no ego ser lembrado, mas falei que está totalmente fora da minha tela”, afirmou Rodrigues, que não é filiado a nenhum partido.

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